Golias: visão de meter medo

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Golias - Quem ele é
O nome Golias significa "grande". Golias era um gigante famoso da cidade filisteia de Gate. Por 40 dias, ele desafiou abertamente os exércitos de Israel, desafiando-os a enviar um homem para lutar com ele. Ele foi morto pelo jovem pastor, Davi, com um único tiro de uma pedra de sua funda (1 Samuel 17:4). Sua altura era de "seis côvados e um palmo", se um côvado é equivalente a 0.5m, então ele tinha 3 metros de altura. Golias tinha quatro irmãos, o que pode ser o motivo pelo qual Davi pegou cinco pedras para sua funda quando o enfrentou. Davi cortou a cabeça de Golias e a levou a Jerusalém, pendurando as armas do seu oponente na sua própria barraca (1 Samuel 17:51, 53). A espada de Golias foi posteriormente preservada em Nobe como um troféu religioso (1 Samuel 21:9). A vitória de Davi sobre Golias foi um ponto de viragem na sua vida.

Golias – O seu papel na Bíblia
Golias representa os muitos obstáculos e armadilhas que encontramos na vida, sejam eles espirituais ou físicos. Embora talvez nunca encontremos gigantes de carne e osso como inimigos físicos, com certeza encontraremos gigantes simbólicos que podem nos confrontar no reino espiritual e físico. Estes Golias tentarão nos conquistar, mas, como Davi, temos a graça de Deus ao nosso lado, e Deus nos dará poder para enfrentar e vencer esses gigantes enormes. Como Davi, podemos usar a menor de nossas armas para derrotá-los. Não precisamos de artilharia pesada para o trabalho, precisamos apenas do poder da oração, da Palavra de Deus e da graça de Deus para derrotar qualquer coisa em nosso caminho que nos mantenha temerosos.
Golias – Nossos próprios Golias

Quais são alguns dos Golias que enfrentamos na vida?
  • Intimidação. Infelizmente, os israelitas ficaram consternados e aterrorizados (1 Samuel 17:11). No entanto, Davi, um menino, enfrentou o inimigo com confiança. Davi confiou em Deus porque tinha um relacionamento com Ele, por isso podia resistir a qualquer intimidação.
  • O mundo incrédulo. O incrédulo se alegra quando o cristão é ineficaz. Entretanto, se você compartilhar o Evangelho e informar as pessoas sobre a ira de Deus e o julgamento do pecado, você pode experimentar um intenso ódio por parte do mundo incrédulo. Ainda assim, é nosso dever para com Cristo, como cristãos, pregar a verdade independente do custo e ajudar a cumprir a Grande Comissão.
  • Ignorância de nossas armas. Para lutar contra os inimigos do nosso mundo, devemos aprender a usar as armas espirituais ao nosso alcance. A vitória de Davi tinha mais a ver com as suas armas espirituais do que com suas habilidades com a sua funda. Quando estudamos a Palavra de Deus, vestimo-nos de uma parte vital de "toda a armadura de Deus" (Efésios 6:11). Somos desafiados a "Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz. Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno. Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus" (versículos 14-17).
  • Acreditar que você está sozinho na batalha. Hebreus 13:5-6 nos assegura: "’Nunca o deixarei, nunca o abandonarei’. Podemos, pois, dizer com confiança: ‘O Senhor é o meu ajudador, não temerei. O que me podem fazer os homens?’"
  • Não exercer fé. A fé é uma arma poderosa contra o inimigo, e exercitar essa fé, seja ela pequena ou grande, vai lhe trazer grandes recompensas. "O que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é que vence o mundo? Somente aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus" (1 João 5:4-5).
 Fonte: www.allaboutgod.com
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Obadias, um nobre desconhecido

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“(...); eu, contudo, teu servo, temo ao Senhor desde a minha mocidade.” 1 Reis 18:12c
Entre idas e vindas, leituras e releituras da história do enigmático e porque não dizer também fantástico profeta Elias, o tesbita, deparei-me com um personagem igualmente (desigualdades à parte) fantástico e enigmático chamado Obadias. Se tenho aprendido muita coisa com o famoso profeta, tanto mais tenho aprendido com esse nobre “desconhecido”.
Ele aparece no meio de uma miséria sem precedentes em Israel, em meio a um reinado que nadava em todos os estilos do paganismo e, se não bastasse isso, era também um reinado onde cultuava-se a prostituição e onde brincavam de acha-mata-extermina-destroi os profetas do Senhor! Um mundo cão, posso assim dizer.
Sob o causticante sol, ventilemos um pouco sobre Elias, já deixando ladeado, de novo, o fiel Obadias. Perdão, Obadias!
Em 1 Reis 18, o até então desconhecido morador da região de Gileade, Elias, se apresenta ao rei Acabe e faz uma declaração meteorologia pra lá de ousada! Usei o termo desconhecido porque o cara simplesmente saiu do nada! As Escrituras não relatam nada antes desse aparecimento e quando este homem surge já é, globalmente, com ares de Patrícia Poeta dos tempos bíblicos com a sua previsão pra lá de assustadora! Disse o homem de Deus que não haveria sobre aquela terra nem orvalho, nem chuva por três anos e meio (1 Reis 18:1). Pense agora comigo: Ficar sem água por um dia é uma coisa; sem água por dois ou três dias é dois ou três “coisa”, mas três anos sem água? Dá não! Visione: Lavar talheres e pratos? Neca. Roupas? Neca. Passar um pano na casa? Neca. Beber água deixando derramar pelos cantos da boca? Neca. Lavar o rosto, banhar o corpo descentemente ou escovar os dentes? Eca, eca e mais um eca! Se não bastasse dar o aviso divino, o “proclamador da seca” depois de dado o recado ouviu o seguinte: Suma, Elias! Da mesma forma que surgiu, sumiu!
Foi-se a mando de Deus para Querite e lá ficou. Sob o cuidado do mesmo Deus foi sustentado por corvos e bebeu do riacho que ainda corria por lá (1 Reis 18:6), até que a corrente de água secou, “porque não chovia sobre a terra” (1 Reis 17:7). Será que ele achava que ia se dar bem nessa falta de água? Sobrou também, tesbita!
Deus então ordena que ele saia de Querite e vá para Sarepta (1 Reis 17:9). Eu fui dar uma googlada, procurando o que significa o nome Sarepta e o suor desceu só em ler! Casa de fundição é o seu significado. Era um lugar onde se derretiam metais, um local cheio de fornalhas! Será que o lugar era quente? E com a seca? Sobrou e sobrou forte, tesbita!
No forno de microondas da marca Sarepta Very Hot ele foi sustentado milagrosamente com pão e com água por uma mulher viúva, que morava com seu filho único. Imaginei duas coisas: que o pão se cozia nas mãos mesmo ou mais rapidamente na janela, onde o vento soprava de levinho; o outro pensamento é de que em Sarepta o milagre da transformação era constante, qualquer água nas talhas ou nos copos transformava-se em chá quente! Seriam de lá os gaúchos?! Lá não se usava o termo “cabeça de gelo” ou “fique frio”. Nunca! Acontece aqui o primeiro caso de ressurreição na Bíblia. Pelo que eu já li é isso mesmo! Me ajudem os estudiosos! Curioso, não? Morre, após algum tempo, o filho único desta pobre viúva e Elias clama a Deus para que torne a vida ao menino e assim acontece. Esse Elias tinha intimidade com o Criador e Pai da Vida!
Deus então ordena que Elias se apresente de volta a Acabe para dar-lhe outro aviso meteorológico (1 Reis 18:1) - dá-lhe Elias Poeta. O recado: depois de três anos e meio, daria o Senhor chuva abundante sobre a terra. Está aí a síntese do resumo resumido sobre o conhecido Elias, o profeta de Tesbe de Gileade. Lembrei agora que me propus a falar sobre Obadias e até agora necas, imagine!
Elias, obediente, sai à pé da flamejante Sarepta para se encontrar mais uma vez com o rei Acabe.
Refresquemos (como se fosse possível) o contexto climático naquela terra: três anos e meio sem chuva ou mesmo orvalho à noite, as reservas de água já acabadas ou por acabar; os animais, as crianças, as mulheres e os homens morrendo (e muitos já mortos, certamente). Sem água não há plantação, se não se planta, não se colhe; fome e sede, sede e fome. Vê-se a sequidão e desespero no rosto do poderoso Acabe, rei de Israel.
Precisamos de água! Acabe não confia em nenhum outro homem em seu reino, mas tão somente em Obadias - olha o homem aí! (1 Reis 18:5). Ordena a este a sair pelas terras desérticas à procura de água. Vale salientar que saem o rei e o mordomo Obadias, só (1 Reis 18:6). Quem sabe o rei tenha pensado: Se eu sair com uma comitiva, os espalhar sobre a terra a procurar água e estes acharem qualquer coisa, vão sair em desespero e acabar com o pouco que acharem e nada sobrará! Que nada! Vou sair só para um lado e para o outro vou mandar aquele em quem eu confio e que não vai me trair, o meu fiel servo Obadias! Obadias, onde está você?
Saindo de Samaria seguem o rei Acabe para lado sul e Obadias para lado norte.
Elias vindo de Sarepta, descendo pelo deserto, Obadias subindo pelo mesmo deserto, quando se encontram. Eita susto! Sinta, veja e viaje no calor da situação: no meio do tórrido deserto: o sol; embaixo do sol escaldante: um outro sol; um homem com o corpo cozido: o sol de novo; todo vestido de pelo e couro em brasa: o sol mais uma vez e agora ardendo; a barba grande e desgrenhada brilhando e fumaçando sob o sol; cabelo besuntado de areia e o sol fazendo a escova progressiva: suando toda a água que bebeu em Querite e o sol evaporando essa água; sem Rexona e o sol agravando em muito a situação; soltando mornos bufos de cansaço depois de descer e subir morros e vales acompanhado ainda do sol: rodeando-o o amigo sol; aquele vento quente soprando igual a vapor de ferro de passar... Deus dos céus chuvosos! Vou aqui tomar uma água gelada e volto! Vai amar fazer a vontade de Deus assim, lá em Israel! Agora eu entendi o porquê de Elias estar ao lado de Cristo na transfiguração, só Jesus Cristo para dar alívio aquele profeta! Momento oração sincera: dá ao que escreve e aos que estão lendo este texto esse mesmo ardor por cumprir a Tua perfeita e agradável vontade, Senhor! Se fôssemos como Elias, no cumprir a vontade de Deus, o mundo teria muito mais vidas salvas e sedentas por beber da Água Viva. Você pode dizer Amém? Eu disse, viu? Acho que se eu visse Elias nessas aquecidas condições o confundiria com a sarça ardente e tiraria as sandálias. Fogo puro!
Provavelmente Elias estava também à procura de água, afinal o profeta era de Deus e não Deus! Obadias o vê e o reconhece! Aqui reaparece o homem que me despertou uma atenção especial em toda essa história. Obadias, o servo e mordomo do rei Acabe.
Começando pelo segundo, lê-se em 1 Reis 16:30 que ele fez “o que era mau perante o Senhor, (...)”. Se isto já não fosse ruim o texto acrescenta que ele fez “mais do que todos que foram antes dele.” Pode ficar pior? Nesse caso cito a Lei de Murphy ao modo de 1 Reis 16:31, Acabe casou com Jezabel, “foi, e serviu a Baal, e o adorou”!  Deixa eu voltar ao irmão Obadias.
1 Reis 18:3b diz que “Obadias temia muito ao Senhor, (...)”. Minha perguntas são: o que esse camarada fazia ao lado do pecaminoso rei Acabe e o que eu posso aprender com ele?
O nome Obadias é hebraico e significa aquele que adora a Jeová ou adorador de Jeová.
Ele era o mordomo do rei Acabe ou seja era quem administrava toda a casa e os bens do rei ou mesmo do reino. Certamente ele era exemplar em suas atitudes e muito inteligente, o que foi notado por Acabe. Estava durante todo o seu tempo ao lado do rei e também ao lado de Jezabel.
Em 1 Reis 18:2, ressalta o escritor que “a fome era extrema em Samaria” e logo depois apresenta a pessoa de Obadias, testemunhando em seu favor que este “temia muito ao Senhor”. Excelente testemunho, sim? Obadias em sua saída em busca de água e alimento para o gado, sob as ordens do rei, se encontra com Elias em meio ao deserto e pergunta:
- “És tu, meu senhor Elias?” (1 Reis 18:7c)
A voz de Obadias sai trêmula e receosa, mas cheia de respeito e reverência. Com certeza ele sabia quem era o homem de Deus e sabia da intimidade do profeta com o Todo-Poderoso de Israel. Ele estava lá quando Elias decretou, por ordem de Deus, o fechamento dos céus e certamente sabia que Elias por aquelas bandas trazia alguma novidade. O medo de Obadias é transparente porque o profeta do Senhor estava sendo caçado pela milícia fanática de Acabe e Jezabel.
- “Sou eu. Vai e dize a teu senhor: eis que Elias está aqui.” (1 Reis 18:8)
A pressão de Obadias deve ter ido às alturas. Eu enfartaria ali mesmo aos gritos de “Não vou não! Posso não! (sem trocadilhos musicais, por favor!). As palavras subsequentes revelam o porquê de tanto medo em encontrar com Elias (leia 1 Reis 18:9-14). Obadias, obediente e temente, foi e deu o recado do homem de Deus a Acabe:
“Então foi Obadias encontrar-se com Acabe, e lho anunciou; e Acabe foi encontrar-se com Elias” (1 Reis 18:16).
Aqui se encerra nominalmente a participação desse servo de Deus. Mas Obadias não some da história, não. Tenha em mente que ele era o homem de confiança e mordomo de Acabe e onde este estivesse ali também estaria seu servo Obadias. Quero pensar com você em alguns dos preciosos aprendizados que podemos ter com Obadias, na esperança de que eles também promovam e estimulem em nós o sentido de viver unicamente para servir ao verdadeiro Deus e Senhor.
 
1. Obadias perseverou em seguir ao Senhor
“Todavia eu, teu servo, temo ao Senhor desde a minha mocidade.” 1 Reis 18:12c
“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele. Provérbios 22:6
Certamente Obadias guardou esse importante preceito dado pelo sábio. Quem sabe tenha sido ensinado desde pequeno por seus pais e parentes próximos ou em suas idas ao templo em Jerusalém para adorar ou quem sabe ainda por um dos antigos profetas de Deus que foram brutalmente assassinados pelo nefasto casal Acabe e Jezabel? Independente de quem foi que o ensinou ou como e onde ele aprendeu, Obadias guardou em seu coração e se dispôs a servir primeiramente a Deus, desde a sua mocidade. Hoje, o que queremos é a curtição, a badalação e as “doces” aventuras que o mundo tem a oferecer; as festas, as bebidas, os manjares e toda a sorte de prazeres que o caminho largo pode dar. Compromisso com Cristo? Deixa pra depois! Deixa pra outra hora! Amanhã, quem sabe? Estou jovem ainda... Obadias foi instruído em vários caminhos: no Caminho de Deus, no caminho da educação, na postura ante as autoridades, foi instruído em como falar, como se vestir, quando se calar. Aprendeu também a respeitar e a agir de acordo com o local em que estava. Ele era um homem sábio! Deus, em Cristo, nos dê sabedoria e nos faça viver em conformidade com a Sua Santa Palavra.
 
2. Obadias não se esqueceu de quem era o Deus verdadeiro
Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal segui-o.” 1 Reis 18:21
Não obstante estivesse bem no meio dos abomináveis rituais e dos cultos aos deuses pagãos, ele se manteve puro e com a sua fé focada no Deus de Israel. Ele não fugiu e não temeu. Obadias sabia que servia ao Deus verdadeiro, ao Deus que logo em breve responderia com fogo! Provavelmente ele não podia glorificar dentro do palácio real, muito menos levantar as mãos para agradecer ao seu Deus. Obadias dava o seu jeito! Talvez tenha feito algo parecido ao que fez o profeta Daniel no reino do ímpio Nabucodonozor. Dentro do seu quarto escondido e sussurrando com as portas e janelas devidamente trancadas; atrás do pesado guarda-roupas que tinha de ser arrastado todas as vezes que intencionava orar. Talvez ele chegasse perante Acabe e dissesse: “E aí, meu rei! Vou ali negociar com uns viajantes, que estão de passagem, alguns tapetes, tecidos e jóias para sua linda (Cof! Cof!) mulher, Jezabel, belê?”, e nesse caminho de ida e volta, abria seus lábios e baixinho falava palavras em louvor ao Senhor por tê-lo guardado da morte e galgado favor diante de Acabe. Quem sabe suprimido pela presença constante do rei e de sua terrível mulher ele o fazia em completo silêncio, mas em espírito e em verdade. Obadias, era um adorador de Jeová!
“(...) e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. João 4:24
 
3. Mesmo correndo risco de morte ele trabalhou em prol da Obra de Deus
“Porventura não disseram a meu senhor o que fiz, quando Jezabel matava os profetas do Senhor, como escondi cem dos profetas do Senhor, cinquenta numa cova e cinquenta noutra, e os sustentei com pão e água.” 1 Reis 18:13
Como ele fez isso, eu não sei, mas o que ele fez ficou para sua memória e ele é lembrado por Deus, em Sua Palavra, por essa corajosa atitude. O texto indica que outros sabiam da estratégia de Obadias e o ajudavam. Poderiam ser servos de Obadias na administração do reino, homens escolhidos e conhecidos dele. Importa saber que eles souberam trabalhar em prol da causa de Deus. Obadias, o braço direito do rei, alimentando quem deveria estar morto? Se fosse pego... Não o imagino tirando alimento escondido dentre os manjares reais para dar aos profetas. Quero pensar nele, importante que era, sempre bem servido e farto de alimentos, deixando pra comer depois de todos, afinal estava sempre muito ocupado, inclusive com as despensas e os estoques do rei e da rainha. Imagino-o pedindo um delivery no quarto. Muito alimento sendo trazido pelos seus criados coligados. Se era somente pão e água, haja pão e tome-lhe água pra dentro. Se pão significar qualquer tipo de alimento e assim a Escritura também nos permite pensar em várias passagens, penso que, Obadias saia com uns três ou quatro dos seus, as roupas cuidadosamente costuradas com bolsos e compartimentos secretos e na calada da noite ia repartir com os profetas-tatu, que estavam escondidos em dois buracos. Deixo minha limitada mente ganhar asas... Os restos da comida que eram jogados fora não levantariam suspeitas. Concorda?
- “Joguem lá na naquelas covas, entenderam? Joguem isso bem longe, ouviram? Esses restos não prestam para nada. É rejeito!”
- “Sim, meu senhor Obadias! Faremos tudo para agradar ao nosso senhor (ou SENHOR?)!”
Obadias cuidou e alimentou os homens de Deus jurados de morte por aqueles a quem ele mesmo servia. Sobras de pão, de bolos, de carnes e os restos dos galões de água ou de sucos. O que não servia para os nobres nem para os grandes do palácio servia para os escolhidos de Deus!
“(...) e, chegando-vos para ele, pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas, para com Deus eleita e preciosa” 1 Pedro 2:4
 
4. Obadias viu a glória de Deus
Este homem havia ficado calado por tantos anos. Ele se resguardara prudentemente em não glorificar ao Deus de Israel na frente de Acabe ou de adoradores de Baal, espiões de Jezabel, para que não fosse morto. Ele estava com um grito entalado na garganta. O coração ardia por uma oportunidade de fazê-lo e o fez!
O profeta Elias deu uma ordem ao rei Acabe (Ousado esse profeta! Só falava com Acabe dando ordens.) de que este reunisse, num tipo de desafio, os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Asera, como também o povo de Israel, todos lá no Monte Carmelo:
Agora pois manda reunir-se a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal, e os quatrocentos profetas de Asera, que comem da mesa de Jezabel.” 1 Reis 18:19
O fim dessa disputa conhecemos:
“Sucedeu pois que, sendo já hora de se oferecer o sacrifício da tarde, o profeta Elias se chegou, e disse: Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque, e de Israel, seja manifestado hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme a tua palavra tenho feito todas estas coisas. Responde-me, ó Senhor, responde-me para que este povo conheça que tu, ó Senhor, és Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração.
Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego. Quando o povo viu isto, prostraram-se todos com o rosto em terra e disseram: O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!”
 
1 Reis 18:36-39
 
Quero retirar a última frase dessa passagem para justificar meu último ponto.
“(...) prostraram-se todos com o rosto em terra”. Eu não estava lá pra ver, mas imagino a cena: o céu se abrindo como se fosse um redemoinho, um barulho ensurdecedor: trovões, relâmpagos e raios num céu sem nuvens, o chamado céu de brigadeiro; talvez a mistura de sons como uma cachoeira estalando sobre as pedras + um estádio completamente lotado gritando gol do meu time + uma imensa cavalaria com seus carros e seus cavaleiros gritando + algumas dezenas de trios elétricos tocando diferentes acordes ao mesmo tempo e no mais alto som possível + carros de fórmula um rasgando seus motores numa longa reta de chegada..., chega? Isso ainda não deve ter sido igual ao que aconteceu lá! Acrescento a isso um clarão maior que a luz de um sol de primeira grandeza, tão ofuscante e capaz de cegar aos desavisados de plantão. A Palavra diz que até as pedras foram consumidas! Como ficar em pé numa cena dessas? Vejo os prostrados a seguir: Elias. Esse já devia ter enterrado o rosto no pó assim que começou a orar. Ele conhecia o Deus que servia; Obadias, idem; talvez de longe os profetas escondidos nas covas viram o clarão, ouviram o barulho e saíram pra ver o que era, se prostraram também, claro!; os oitocentos e cinquenta ensanguentados, frustrados e sentenciados à morte profetas de Baal e Asera e de quebra, o assustado e incrédulo Sr. Acabe “dos Reis de Israel”. Não havia como permanecer em pé ante a majestosa glória do Senhor que desceu naquele lugar. Vejo ainda o servo Obadias com o corpo trêmulo, um sorriso nos lábios, os olhos cheios de lágrimas e o coração pulsando forte completamente prostrado, diante do Seu Deus. Levantou um pouquinho a cabeça, deu uma olhadela para onde antes estava o altar com o sacrifício e não viu nada além de fumaça, inclinou-se de novo ainda dando glórias... Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!
Louvado seja Deus por homens e mulheres que procedem como Obadias e que não se rendem em meio ao mal que os cerca! Sejamos como este servo: obedientes, tementes e prontos para cooperar no Reino de Cristo! Amém!

Vosso irmão,
 
 
Autor: Carlos Júnior
Fonte: www.carloslpjunior.blogspot.com.br
 
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JACÓ, O suplantador que se tornou um príncipe

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I.       O Nome

O Jacó do Antigo Testamento era o filho mais novo de Isaque e Rebeca, e o terceiro dos patriarcas hebreus históricos, a saber: Abraão, Isaque e Jacó. Tinha um irmão gêmeo, levemente mais velho que ele, Esaú. Sua íntima identificação com a nação de Israel, que se desenvolveu de sua linhagem, torna-se imediatamente evidente pelo fato de que seu nome foi alterado para Israel, depois do incidente de sua luta com o anjo (Gn 32:28). Dali por diante, a nação inteira de Israel, que se multiplicou partindo dos doze filhos de Jacó, veio a ser assim denominada. O termo hebraico por detrás do nome «Jacó» é Yaakov, provavelmente, uma forma abreviada da palavra que significa «Deus protege». No entanto, em Gn 25:26 o nome é explicado como se significasse «aquele que segura pelo calcanhar», posto que, por ocasião de seu nascimento, Jacó emergiu do útero materno seguran­do o calcanhar de seu irmão gêmeo, Esaú. Daí é que vem o sentido secundário de «suplantador», isto é, «alguém que toma o lugar de outro, mediante astúcia». Isso alude ao incidente em que Jacó, mediante ludibrio, furtou a bênção paterna de Esaú, e por causa do que Jacó obteve ascendência sobre seu irmão gêmeo. O fato de que Esaú também perdeu seu direito de primogenitura para Jacó fez parte dessa atividade dele como suplantador (ver Gn 27:36). Sem dúvida alguma, «Deus protege» é o sentido original do nome, e as outras ideias derivam-se de uma etimologia popular e, talvez, mediante um jogo de palavras: «Este homem, cujo nome é Deus protege, de fato é um agarrador de calcanhar e um suplantador!» A raiz qb tem sido encontrada entre os povos dos grupos semitas ocidentais, como os amorreus. O mesmo vocábulo hebraico que tem por base a palavra calcanhar também é um elemento básico do verbo que significa «enganar», provavelmen­te como um termo homófono. Apesar desse nome ter sido encontrado em fontes extra bíblicas, é significati­vo que no Antigo Testamento, à parte do patriarca Jacó, ninguém mais foi chamado por esse nome. No período helenista, entretanto, o nome começou a ser largamente usado. Há mais de trezentas referências a Jacó no Antigo Testamento, e vinte e quatro ocorrências no Novo Testamento. Quase uma quarta parte do volume de Gênesis devota-se diretamente a traçar a biografia de Jacó. E o período de vida desse patriarca ocupa metade do volume do mesmo livro.

II.      Israel e Seus Significados

Quando Jacó lutou com o anjo de Deus e prevaleceu, e então exigiu dele uma benção, tornou-se apropriado a alteração de seu nome de Jacó para Israel. Isso assinalou um significativo avanço em sua vida, em preparação para o desenvolvimento da nação de Israel. O nome Israel faz parte da tradição judaica desde que apareceu pela primeira vez no Antigo Testamento, em Gn 32:28. O anjo deu a Jacó esse novo nome que significa «Deus luta». Naturalmente, deve-se entender que essa luta refere-se ao ato de prevalecer, mediante o qual Jacó recebeu a bênção que desejava, para daí por diante ser considerado um príncipe de Deus, por meio de quem a nação se desenvolveria, debaixo da proteção e bênção especiais de Deus. Portanto, do indivíduo o nome foi transferido a todos os seus descendentes, por meio de seus doze filhos. A antiga designação tornou-se também o nome oficial da restaurada nação, o Estado de Israel. A moderna nação de Israel foi organizada em 1948, sendo um dentre mais de cinquenta estados soberanos que vieram à existência desde o término da Segunda Guerra Mundial.

III.     Informes Históricos Sobre sua Vida

1.      Extensão do material bíblico que versa sobre Jacó. Metade do volume do livro de Gênesis conta a sua história (ver Gn 25—50). Condições e costumes constantes nessa narrativa têm sido ilustrados na literatura não-bíblica, e também através de muitas descobertas arqueológicas. Isso demonstra a autenti­cidade do relato bíblico, e do fato de que Jacó não é nenhuma figura mitológica, inventada para ser o pai de uma nação, conforme se dá no caso dos mitos de vários povos antigos.

2.      As Datas de Jacó. Sua data tradicional aproximada é de 1800 A.C. Porém, é notoriamente problemático encontrar datas precisas para o tempo dos patriarcas hebreus. Correla­ções exatas e explícitas entre o relato de Gênesis e outras narrativas históricas (não-bíblicas), são difíceis de encontrar; e depender das datas que nos são fornecidas nas genealogias é uma maneira precária de fazer qualquer cálculo. Há evidências de que Jacó viveu durante o século XVIII A.C. Nesse caso, ele viveu no tempo da dominação do Egito pelos invasores hicsos. Sua data faria a vida de Abraão ter acontecido nos séculos XX e XIX A.C., havendo evidências bíblicas e arqueológicas em favor disso.

3.      Circunstancias do Nascimento de Jacó. A concepção de Jacó ocorreu como resposta a oração (Gn 25:26). Ele foi o segundo filho gêmeo de Isaque e Rebeca. Seu irmão, levemente mais velho, era Esaú. Nasceu segurando o calcanhar de Esaú, o que, de acordo com uma etimologia popular (e talvez por via de um jogo de palavras), deu-lhe o nome de Jacó. Ver sob a primeira seção quanto a uma completa explicação desse nome. Ver Gn 25:26. O cabeludo Esaú tornou-se um homem que gostava de viver ao ar livre, como bom caçador. Jacó, por sua vez, era homem introvertido e tranquilo, que preferia habitar em tendas (Gn 25:26,27). Houve tensões entre os dois gêmeos desde o seu nascimento. Isaque tinha preferências por Esaú, mas Rebeca tinha em Jacó o seu filho favorito.

4.      Real Relação Entre Jacó e Esaú. Eles nasceram para se tornarem personagens bem diferentes uma da outra, conforme se vê no parágrafo acima. Suas diferenças tornaram-se ainda mais irreconciliáveis quando Esaú vendeu seu direito de primogenitura a Jacó, em troca de um prato de lentilhas cozidas (ver Gn 25:30). Esaú vendeu sua primogenitura em um ato impulsivo, quando não conseguiu caçar nenhum animal; e, estando com muita fome, vendeu aquele direito por tão pouco. Os tabletes de Nuzi confirmam o fato de que o direito de primogenitura podia ser vendido. Os intérpretes percebem uma espécie de indiferença, por parte de Esaú, no tocante ao seu privilégio como primogênito. Seria mesmo difícil explicar por que razão ele fez assim, a menos que ele tivesse alguma atitude básica de indiferença para com seus direitos religiosos. Metaforicamente, isso fala sobre sua indiferença espiritual sobre questões importantes, um sinal típico do homem carnal. Esse foi o primeiro ato suplantador de Jacó a ser registrado na Bíblia, por causa do que ele adquiriu o seu nome. O segundo desses atos ocorreu quando ele enganou seu pai, Isaque, e recebeu a bênção paterna que se destinava a Esaú (Gn 27). Tal bênção, uma vez conferida, não podia mais ser revogada (Gn 27:33 ss), um detalhe igualmente ilustrado nos tabletes de Nuzi. Dessa forma, Jacó tornou-se o porta bandeira da promessa messiânica, e o cabeça da raça eleita, segundo aprendemos em Rm 9:10 ss. Esaú teve de se contentar então com uma bênção secundária, e com territórios menos férteis que aqueles prometidos a Jacó, isto é, Edom. Desnecessário é dizer que Esaú ficou furioso, tornando necessário que Jacó fugisse. Jacó, pois, fugiu para a terra natal de Rebeca, em Padã-Harã (ver Gn 26:41—28:5). Rebeca tinha a esperança que Jacó se casasse com uma mulher dentre a parentela dela, porquanto Esaú se casara com mulheres hititas (ver Gn 26:34 e 27:46).

5.      O Incidente de Betel. A caminho de Berseba para Harã, Jacó parou para descansar, em Betel, que era chamada Luz, antes de receber aquele nome. Ali, Jacó recebeu a visão da escada, com anjos que subiam e desciam pela mesma, posta entre a terra e o céu. Ele ficou sumamente admirado com a divina manifesta­ção, e rebatizou o local com o nome de Betel, «casa de Deus» (Gn 28:18,19). Jacó consagrou uma décima parte de toda a sua renda a Deus (Gn 28:10-22), aparentemente de forma perpétua. Betel ficava cerca de cem quilômetros de Berseba, pelo que esse incidente ocorreu ainda no começo de sua jornada, provavelmente com o propósito de infundir-lhe coragem. A Jacó, pois, foi garantida a proteção divina. O pacto abraâmico foi confirmado com Jacó nessa oportunidade (Gn 28:3,4), pelo que os propósitos divinos estavam em operação, apesar das vicissitudes da vida de Jacó, a respeito de seus fracassos misturados com sucessos. Jacó erigiu um altar ali, e fez seus votos, incluindo o pagamento de dízimos a Yahweh.

6.      Jacó em Harã, Sujeito a Labão. Aproximando-se de Harã, Jacó veio até um poço que havia fora da cidade. Ali conheceu sua prima, Raquel. Imediata­mente amou-a com grande amor, e assim começou um dos maiores romances de amor que há na história antiga. Raquel levou Jacó a Labão, tio dele e irmão de Rebeca. Jacó estava apaixonado por Raquel e concordou em trabalhar para Labão, pelo espaço de sete anos, a fim de tê-la como esposa (Gn 29:1 ss). O trecho de Gn 29:20 revela-nos que Jacó trabalhou durante os sete anos, os quais «...lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava». Essa é uma fantástica declaração, na qual eu não teria crido se não a tivesse lido diretamente na Bíblia. Jacó quis receber o seu pagamento, Raquel. Labão concordou, mas, mediante um artifício, pôs Lia em lugar de Raquel, quando o casal se retirou para a tenda deles. Jacó só descobriu que fora ludibriado no dia seguinte, em plena luz do dia. Essa é outra incrível declaração, sobre a qual nem quero comentar. Mas, pelo menos, podemos estar certos de que, naquele momento, Jacó deve ter-se sentido como Esaú, a quem ele havia enganado em proveito próprio. E foi assim que, para desposar Raquel, Jacó teve de comprometer-se que serviria a Labão por outros sete anos, com a diferença que ela lhe foi dada como esposa em antecipação pelo serviço, de tal maneira que, no decurso de uma semana, Jacó estava com duas esposas ao mesmo tempo. E Labão ia prosperando com o fiel trabalho prestado por Jacó, tendo compreendido que a presença de Jacó atraía bênçãos. E Jacó também foi prosperando materialmente, visto que a mão de Deus estava com ele. Rúben, primogênito de Jacó, nasceu de Lia. Três outros filhos de Lia seguiram-se, a saber: Simeão, Levi e Judá. Raquel, sem filhos, deu Bila a Jacó, para que ela tivesse filhos em nome dela. Dessa união, pois, nasceram e Naftali. Zilpa, criada de Lia, tornou-se a segunda concubina de Jacó, e dessa nova união nasceram Gade e Aser, além de uma filha, Diná. Em seguida, Lia deu à luz a Issacar e Zebulom. Finalmente, Raquel teve o muito querido e amado José. Ver Gn 29:1-30:24. Passados mais alguns anos, Raquel também teve a Benjamim. Dessa maneira, encontramos os doze filhos de Jacó, dos quais vieram as doze tribos de Israel. José não se tornou cabeça de alguma tribo; mas seus dois filhos, Manassés e Efraim, tornaram-se cabeças de tribos. Isso daria treze tribos, mas doze é o número tradicional, visto que Levi tornou-se um clã sacerdotal, que não herdou territórios. Assim, quando Levi aparece como uma tribo, então Efraim e Manassés são reputados como a tribo de José (ver Nm 26:28; Js 17:14,17). Em Apocalipse 7:14 ss, é excluído e José substitui a Efraim.

As Esposas e os Filhos de Jacó

Lia                          Raquel

1.      Rúben                  12.    José
2.      Simeão                 13.    Benjamim
3.      Levi
4.      Judá
9.      Issacar
10.    Zebulom
11.    Diná

Bila                         Zilpa

5.                              7.      Gade
6.      Naftali                  8.      Aser

N.B. — Os números indicam a ordem dos nascimentos.

7.      Jacó Parte de Harã. As relações entre Jacó e Labão não demoraram nada a azedar. Jacó sofreu às mãos de seu tio, Labão, o mesmo tratamento que Jacó havia conferido a Esaú, o que mostra que a lei da colheita segundo a semeadura estava operando. Todavia, Labão prosperava, porquanto Jacó era fiel e operoso, e Labão nunca teria abandonado a situação se o próprio Jacó não tivesse desistido. Reunindo sua família e suas propriedades, Jacó partiu de Padã-Harã a fim de retornar à sua terra de Canaã, o que ocorreu em cerca de 1960 A.C. Labão só descobriu a fuga de Jacó ao terceiro dia; mas, quando a percebeu, saiu ao encalço do sobrinho e genro com um grupo armado. Todavia, Deus fez intervenção e advertiu a Labão que não tentasse fazer qualquer mal a Jacó. Assim, não sendo capaz de fazer qualquer coisa de radical, ao alcançar a Jacó, limitou-se a repreendê-lo severamente. Por que Jacó partira secretamente? Por que havia enganado a seu tio? Por que havia levado suas filhas e netos, sem dar-lhe uma oportunidade de despedir-se? E, acima de tudo, por que Jacó cometera o ultraje de furtar seus deuses domésticos (seus santos protetores)?

Dessa vez, pelo menos, Jacó disse a verdade. Ele temia o que Labão poderia querer fazer contra ele. E calculou que, no mínimo, mandá-lo-ia vazio, e que os seus familiares e os seus bens seriam forçados a ficar em Padã-Harã. No tocante aos terafins ou deuses domésticos, Jacó afirmou que não os havia tirado, e que qualquer um que o tivesse feito poderia ser executado. (Raquel não contara a Jacó que ela é quem furtara os tais deuses). Labão procurou e apalpou por toda a parte e nada achou. Raquel estava assentada sobre a sela de seu camelo, e os deuses estavam ocultos debaixo da sela. Ela estava serenamente sentada, com um ar de inocência. E disse a Labão que ele teria de desculpá-la, pois não podia levantar-se, visto que estava menstruada. Os ídolos permanece­ram seguramente ocultos debaixo da sela, porquanto uma mulher, e tudo quanto ela tocasse, era considerado imundo, estando ela nesse período. Pelo menos assim se dava na lei mosaica posterior, e podemos supor que a crença era anterior a essa data.

Jacó ficou observando a busca com grande ansiedade; mas, quando viu que coisa alguma pertencente a Labão havia sido achada, ele então tomou coragem. Era a sua vez de repreender severamente a Labão. Que maldade ele havia alguma vez feito a Labão? Por que o seu salário, durante todos aqueles anos, lhe havia sido negado? Por que Labão mudara para pior o seu salário por dez vezes? Jacó acusou Labão de ser um enganador e um homem duro, dizendo que sabia que se anunciasse a sua intenção de voltar à sua terra, Labão fá-lo-ia regressar de mãos abanando. E, concluindo sua argumentação, Jacó relembrou a Labão que Deus havia aprovado a sua fuga, ao advertir que Labão não deveria tentar tolhê-lo. A discussão perdurou mais um pouco, sem produzir qualquer resultado. Finalmente Labão sugeriu que eles firmassem um acordo. E Jacó concordou. Eles levantaram uma grande pedra, como coluna, e também fizeram um montão de pedras. Esses emblemas eram testemunhas dos termos do acordo. Dessa circunstância é que vieram aquelas imortais palavras: «Vigie o Senhor entre mim e ti, quando estivermos apartados um do outro». Essas palavras têm servido de grande consolo quando pessoas que se amam têm de se separar, provocando muitas lágrimas. Jacó chamou o monumento de Galeed, «monte do testemunho»; e Labão chamou-o de Mizpah, «posto de vigia». Labão também avisou a Jacó de que se ele não cuidasse bem de suas filhas, então entraria em dificuldades. Em seguida, invoca­ram o Deus de Abraão e Naor (avô de Abraão), como testemunha do acordo estabelecido. Jacó jurou pelo Temor de Isaque, nome dado a Yahweh com base na circunstância da bem conhecida reverência de Isaque ao Senhor Deus. Jacó ofereceu sacrifícios e houve um banquete. Eles se banquetearam a noite inteira e, ao amanhecer, os dois partiram cada um em sua direção. Labão, o idoso espertalhão, amava as suas filhas e seus netos, e, com o coração saudoso, beijou-os, abençoou-os e deixou-os partir!

Quão difícil é deixarmos ir os nossos filhos, o círculo familiar desmanchando-se para que se formem outros círculos familiares, e nós avançando em anos! Apesar das grandes disputas, das mentiras, dos enganos e das astúcias, tudo termina da mesma maneira: mais uma daquelas dolorosas separações familiares que a minha própria família, com seus ramos internacionais, tem sofrido por tantas vezes. Ver o capítulo trinta e um de Gênesis, quanto a essa narrativa bíblica.

O Relato é Tão Humano. Houve alguns elementos religiosos distorcidos, houve a velha idolatria que domina tanto ao coração humano, transformando os homens em tolos; houve mentiras, egoísmo, ludíbrios. No entanto, também houve amor; e cada um, à sua maneira, a despeito de seus defeitos, estava cumprindo o desígnio divino. Essa é uma cena em miniatura do próprio drama humano. A fim de estabelecer o acordo que fizeram, tiveram de invocar a Deus como testemunha. Se Deus não for chamado como testemunha dos lances da vida humana, essa vida não terá sentido.

8.      A Presença de Deus. A separação teve lugar, e Jacó, agora uma unidade familiar distinta, começou a viver uma nova fase em sua vida. Ansioso, ele encetou sua nova caminhada. Quase imediatamente em seguida, porém, o quadro ameaçador foi aliviado. Um grupo de anjos encontrou-se com ele no caminho, e Jacó exclamou, admirado: «Este é o acampamento de Deus» (Gn 32:2). E Jacó denominou o lugar de Maanaim, «dois exércitos», evidentemente referindo- se aos dois grupos, o seu próprio grupo, composto por pessoas mortais como ele, que o acompanhavam, e o outro grupo, formado pelos anjos imortais. Temos aí uma ótima lição, ensinada com maiores detalhes no décimo primeiro capítulo da epístola aos Hebreus. O grupo imortal cuida do grupo mortal e o guia pelo caminho.

9.      O Antigo Problema Entre Jacó e Esaú. A fuga de Jacó necessariamente fá-lo-ia atravessar o território ocupado por Esaú. Por essa razão, enviou mensagei­ros à sua frente, que anunciassem sua aproximação. Jacó temia tanto por sua vida como pelas vidas dos seus, segundo se vê em Gn 32:6-8. E então soube que Esaú estava vindo ao seu encontro com uma companhia de quatrocentos homens, o que, para Jacó, representava um poderoso e hostil exército. Fora capaz de enfrentar a Labão, com a ajuda de Deus; mas, poderia enfrentar a Esaú? A vida é assim. Nenhuma vitória é definitiva e vence a guerra. Precisamos avançar para novos conflitos, procurando obter novas vitórias.

Em seu temor e aflição, Jacó fez a única coisa ao seu alcance. Voltou-se para Deus, para que o livrasse. Em oração, lembrou ao Senhor que ele é quem o enviou naquela jornada de retorno à sua terra natal. Lembrou-O acerca do pacto abraâmico, e da parte do Senhor nesse pacto. Agora, restava Deus cumprir tudo quanto havia dito, visto que Jacó estava impotente, diante de Esaú que se aproximava.

10.    Jacó Toma-se Israel. Jacó traçou planos elaborados para salvar o máximo que pudesse, no caso de Esaú promover um massacre (Gn 32:16 ss). Porém, o método de Deus era simples. Quando Jacó estava sozinho, veio ao seu encontro um anjo, e começou uma furiosa luta física. Essa luta durou a noite inteira. Jacó era forte, e o anjo não era capaz de vencê-lo. Portanto, tocou no nervo de sua coxa e a deslocou, embora a luta tivesse continuado. Quando a madrugada chegou, Jacó anunciou que não deixaria o «homem» ir-se embora, a menos que o abençoasse (Gn 23:26). Dessa bênção é que se derivou a mudança do nome de Jacó, o suplantador e enganador, para Israel, fazendo com que Jacó se tornasse um príncipe diante de Deus, aquele que se esforça e prevalece em suas lutas (Gn 32:28). Jacó tornou-se alguém dotado de poder diante de Deus. Jacó chamou o lugar onde isso ocorreu de Peniel, ou seja, «face de Deus», pois, ao defrontar-se com o Anjo do Senhor, isso foi a mesma coisa que se ter defrontado com o próprio Deus e, no entanto, a sua vida fora preservada. Ele quis saber a identidade do anjo, mas essa identidade não lhe foi conferida. Assim, podemos passar por grandes experiências místicas, mas muitas coisas continuam ocultas de nós.

11.    Jacó e Esaú Encontram-se. Chegou o dia de prestação de contas. Aproximou-se a companhia que vinha com Esaú. Jacó, temeroso, enviou à sua frente suas esposas e seus filhos, a fim de tentar tocar o coração de Esaú e fazê-lo sentir misericórdia. Porém, tudo era desnecessário. Esaú não estava mais irado. Os anos haviam varrido sua ira e amargura. E tudo se resumiu em uma daquelas tocantes reuniões de família, após tantos anos de separação. Esaú nem ao menos estava interessado nos liberais presentes que Jacó lhe oferecia. Respondeu que tinha de sobra. Portanto, todos os elaborados planos de Jacó para aplacar seu irmão, foram inúteis. Deus já havia cuidado da situação. Nesse ponto do relato, encontramos outro grande versículo que deveria servir de modelo em todas as relações domésticas: Jacó humilhou-se diante de Esaú e prostrou-se por sete vezes; mas Esaú não poderia ter dado menor atenção às homenagens. «Esaú correu-lhe ao encontro, lançou-se lhe ao pescoço e o beijou; e eles choraram» (Gn 33:4). O antigo conflito e o coração iracundo desapareceram subitamente, e o amor cobriu uma multidão de pecados.

Esaú observou o grande número de pessoas que estavam em companhia de Jacó, suas esposas, seus filhos, seus criados e todos os animais. Admirado, indagou quem era toda aquela gente. Jacó falou-lhe sobre como Deus o havia feito prosperar; e isso é o que explica todas as boas coisas que acontecem conosco. Então Jacó forçou Esaú a aceitar alguns generosos presentes, que Esaú aceitou com relutância. Jacó afirmou: «...aceita o presente da minha mão; porquanto tenho visto o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus, e tu te agradaste de mim» (Gn 33:10).

Pouco depois, os dois irmãos separaram-se em paz e amizade, o que prevaleceu durante todo o resto de suas vidas. E não se encontraram de novo senão quando chegou o tempo de sepultar o pai deles, Isaque, na sepultura da família (Gn 35:29).

12.    Jacó Retoma a Betel. Jacó entrou em conflito com os habitantes de Siquém. Sua filha, Diná, foi violentada, e dois dos filhos dele vingaram-se sanguinariamente dos homens daquele lugar, quase exterminando-os (Gn 34). Mediante uma ordem divina, Jacó voltou a Betel. Ali é que ele tinha visto os anjos subindo e descendo pela escada que ia da terra ao céu, há mais de vinte anos, e erigira um altar em honra a Yahweh. Mas, antes de encetar viagem, ordenou que todos quantos estavam em sua companhia que se desfizessem de seus deuses estrangeiros e se purificassem. Podemos supor que foi nessa ocasião que foi dado sumiço aos ídolos do lar que Raquel trouxera de Padã-Harã. Todos os ídolos foram enterrados sob um carvalho, perto de Siquém; e, pouco depois, Deus renovou o pacto abraâmico com Jacó, em Betel.

13.    Perda de Duas Vidas Queridas. Em viagem entre Betel e Efrata, Raquel, a amada esposa de Jacó, morreu de parto, ao dar à luz seu segundo filho, Benjamim (Gn 35:20). Não demorou muitos anos para José ser vendido como escravo pelos seus próprios irmãos; e Jacó foi enganado por seus filhos, os quais disseram que tinham encontrado uma peça do vestuário de José, toda ensanguentada, dando a entender que teria sido morto por alguma fera. Ver Gn 37. Nesta vida, depois de algumas alegrias, sempre há algumas lágrimas; e ninguém está isento de inevitáveis sofrimentos neste mundo.

14.    Os Filhos de Jacó Descem ao Egito. Veio a fome, e todos padeceram muito. No Egito, mediante seu dom profético, José soubera da aproximação do período de fome, tendo interpretado corretamente os sonhos de Faraó. Assim, em meio ao flagelo da natureza, os egípcios tinham abundância de víveres. E Jacó enviou seus filhos ao Egito, para adquirirem alimentos, tendo conservado em sua companhia somente a Benjamim (seu favorito, na ausência de José), temendo que alguma tragédia também o atingisse. Os filhos de Jacó retornaram com bom suprimento de cereais, mas informaram a Jacó que o oficial que tinham visto no Egito pensara que eles eram espiões; e, como prova de que não eram, havia exigido que levassem a seu irmão mais novo, Benjamim, na próxima vez em que descessem ao Egito. Naturalmente, esse oficial era José, embora seus irmãos ainda não tivessem descoberto isso.

Pressionados no Egito, e sob suspeita, eles lembraram seu crime de terem vendido José como escravo. Simeão foi retido no Egito, como garantia da volta dos demais irmãos. A fome continuou e o suprimento de alimentos se esgotou. Tornava-se necessária outra viagem, e assim Jacó, com relutân­cia, permitiu que Benjamim também fosse com eles, dessa vez. E os irmãos de José chegaram novamente ao Egito. Foi conseguido um encontro com José, a quem seus irmãos conheciam somente como um duro oficial egípcio. Simeão foi solto, e todos os irmãos de José estavam presentes. Quando José viu Benjamim, seu único irmão que não era meio-irmão, filho de sua mãe, Raquel, deixou-se dominar pela emoção e teve de fazer uma retirada estratégica, para não chorar diante de todos. Controlou-se e voltou, e foi servido um banquete. Finalmente, os irmãos de José foram despedidos e partiram. Mas a taça de prata de José havia sido posta ocultamente na sacola de Benjamim. Essa taça seria usada para adivinhações, no dizer de José, não havendo certeza se ele disse isso para fingir-se um egípcio ou se ele usava mesmo a tal taça como uma espécie de bola de cristal. Assim, um grupo de homens saiu ao encalço dos irmãos de José e, feita uma busca, encontrou-se a taça na saca de Benjamim. E, por causa do crime, Benjamim foi declarado escravo. Judá fez então uma longa exposição, procurando convencer o «oficial egípcio» a aceitá-lo em lugar de Benjamim; pois a permanência de Benjamim no Egito fatalmente faria o pai deles morrer de tristeza. José estava iniciando uma longa e elaborada charada; mas, de súbito, vencido por suas emoções, mandou para fora todos os circunstantes, exceto os seus irmãos. Então José prorrompeu em choro, em voz alta, de modo que os egípcios ouviram tudo. Então José anunciou sua verdadeira identidade, dizendo: «Eu sou José. Vive ainda meu pai?» E os seus irmãos não sabiam como responder, tão pasmos estavam diante dele (ver Gn 45:3). Sentiam-se consternados, uns miseráveis, sentindo todo o peso de seus pecados; José, entretanto, consolou-os, assegu­rando-lhes que o desígnio de Deus é que permitira que tudo aquilo acontecesse, a despeito dos maus propósitos que tinham inspirado o ato deles, ao vender seu próprio irmão como escravo.

«Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito» (Rm 8:29).

15.    Jacó Desce ao Egito. Quando Faraó e outros oficiais egípcios souberam que os irmãos de José estavam entre eles, ficaram muito satisfeitos e sugeriram que Jacó fosse chamado ao Egito, onde poderia desfrutar de grande abundância. Os irmãos de José apressaram-se a voltar à Terra Prometida; e, ali chegando, contaram a Jacó a incrível história de José. E, como eles haviam trazido de volta provas palpáveis de que José estava vivo, Jacó, finalmente, deixou-se convencer de que seus filhos estavam dizendo a verdade. O quadragésimo sexto capítulo de Gênesis relata a descida de Jacó ao Egito.

Após algum tempo, a bonança haveria de transformar-se em um longo período de servidão, a outra casa reinante do Egito. Os descendentes de Jacó multiplicaram-se no Egito, formando uma numerosa nação. Mas foi preciso Moisés surgir a fim de Deus pôr fim à escravidão dos filhos de Israel.

O capítulo quarenta e nove de Gênesis registra as bênçãos proferidas por Jacó a seus filhos, e o último versículo daquele capítulo registra sua morte. E o último versículo do último capítulo de Gênesis registra a morte de José. Jacó faleceu com a idade de cento e quarenta e sete anos (ver Gn 45:28), em cerca de 1854 A.C. Seu corpo foi embalsamado e transportado com grande cuidado para a terra de Canaã, sendo sepultado no sepulcro da família, onde já estavam seus genitores e sua esposa Lia, na caverna de Macpela (Gn 50:1-13). No entanto, quando José morreu, o seu corpo foi embalsamado e posto em um esquife, no Egito.

O cativeiro de Israel no Egito perdurou por cerca de quatrocentos e trinta anos, de acordo com o texto hebraico; mas apenas duzentos e quinze anos, de conformidade com a Septuaginta. Ver Êx 12:40. Estêvão, em Atos 7:6, arredonda esse número para quatrocentos anos. Pouco antes de morrer, José fez seus irmãos prometerem que, quando saíssem do Egito, levariam consigo o seu corpo. Essa promessa foi cumprida por Moisés (Êx 13:19). E seus ossos foram finalmente sepultados em Siquém (Js 24:32), no sepulcro da família, com o resto dos mortos da família patriarcal.

IV.     Seu Caráter

A primeira coisa que nos impressiona na vida de Jacó é que, apesar de suas fraquezas e fracassos, em muitas oportunidades ele teve experiências místicas que em muito alteraram o curso de sua vida. O propósito dessas experiências não era apenas o de abençoá-lo pessoalmente, pois também envolvia a nação de Israel e, finalmente, a promessa messiânica. Jacó mostrou-se muito afetuoso com a sua família. E herdou a astúcia de Rebeca, que também era própria de seu tio, Labão. Havia momentos em que Jacó perdia o ânimo; mas logo se lançava aos cuidados de Deus. Foi homem que passou por muitas provações e recuos, embora também tivesse alcançado vitórias súbitas e gloriosas. Sua desonestidade e astúcia eram neutralizadas por seus momentos de grandes vitórias e avanços espirituais. Sua história é o relato de um homem que, começando sua vida como suplantador e enganador, terminou sendo um príncipe diante de Deus, mediante o propósito remidor.

V.      Sentidos Espirituais e Metafóricos

1.      Os vários incidentes da vida de Jacó foram muito usados nos escritos judaicos a fim de ilustrar grandes e numerosas lições espirituais. Temos indicado algo sobre isso, ao longo deste artigo.

2.      O Talmude usa a vida de Jacó para ilustrar a vida da própria nação de Israel. Sua vida é ali entendida como emblemática da sorte do povo de Israel. Motivos morais são vistos em todos os seus atos, e muitos detalhes lendários têm ornado o relato do Antigo Testamento, como acréscimos tradicionais. Assim como Jacó teve muitos momentos de triunfo e de derrota, mas Deus sempre esteve com ele, intervindo por ele, sempre que necessário, assim também tem acontecido à nação de Israel, ao longo dos séculos.

3.      Há vinte e quatro referências a Jacó no Novo Testamento, algumas das quais visam a ensinar-nos alguma lição espiritual. Ver especialmente At 7:8—16, que contém um sumário da vida de Jacó. Ver também Rm 9:10 ss e Hb 11:20,21, onde Jacó aparece como um modelo da vida de fé.

4.      A transformação de Jacó em Israel ilustra como o homem não-remido, dotado de um caráter moral questionável, pode tornar-se um príncipe diante de Deus, mediante o propósito remidor.

5.      A vida de Jacó ilustra como o plano divino mostra-se ativo, no caso de indivíduos e de nações, de tal modo que o valor da vida é garantido, bem como, finalmente, uma digna realização.

6.      Usos Figurados com o Nome de Jacó: O Deus de Jacó é o Deus de Israel (Êx 3:6; 4:5; II Sm 23:1; Sl 20:1; Is 24). Deus também é denominado de «o poderoso de Jacó» (Sl 132:2). A casa de Jacó corresponde à nação de Israel (Êx 19:3; Is 2:5,6; 8:17). O povo judeu está em foco, nas seguintes expressões: a semente de Jacó (Is 45:19; Jr 33:26), os filhos de Jacó (I Rs 18:31; Mq 3:6), ou simplesmente, Jacó (Nm 23:7; 10:23; 24:5). «Em Jacó» significa «entre o povo judeu».

VI.     A Arqueologia e a Vida de Jacó

Em Nuzi, entre 1925 e 1941, foram descobertos cerca de quatro mil tabletes de argila, ilustrando certos aspectos dos relatos sobre os patriarcas hebreus, sobretudo Jacó. Naturalmente, a luz se projetou mais sobre aquela área da Mesopotâmia, com o resultado que se sabe mais sobre aquela região do que sobre qualquer outra região da Mesopotâmia. Nuzi ficava cerca de catorze quilômetros e meio a oeste da moderna cidade de Kirkut, na parte nordeste da Mesopotâmia, no atual Iraque, e cerca de cento e sessenta quilômetros da fronteira com o Irã, mais para nordeste. Os tabletes ali achados tratam sobre cidadãos comuns, em contraste com os de Mari, que abordavam a família real.

Ilustrações dos Tabletes de Nuzi sobre a Vida Patriarcal nos Dias Bíblicos:

1.      Adoção. Não há relato direto de adoção, no Antigo Testamento; mas Abraão, antes de Isaque ter nascido, pensou em fazer de Eliezer de Damasco seu filho e herdeiro adotivo (Gn 15:2). A lei de Israel não tem qualquer provisão sobre adoções; mas em Nuzi essa questão era regulamentada por lei. Um homem sem filhos podia adotar um filho que levasse avante o nome e a herança da família. Alguns veem um certo paralelo no relacionamento entre Labão e Jacó (Gn 29—31), como se houvesse entre eles uma situação de adoração. Um filho adotivo podia tomar como esposa uma filha de seu pai adotivo, mas não podia tomar uma segunda esposa, fora do círculo da família. O paralelo disso com o caso de Labão e Jacó é duvidoso.

2.      A Venda da Primogenitura. Isso tem um paralelo direto com as leis mencionadas no material encontra­do em Nuzi. Os privilégios de um filho primogênito podiam ser transferidos para outro. Isso envolvia tanto um filho adotivo como um filho autêntico. Em certo caso mencionado, o direito de primogenitura foi vendido em troca de três ovelhas, mais do que o preço pago por Jacó a Esaú, mas, mesmo assim, bastante humilde.

3.      Os Deuses Domésticos, ou Terafins. Raquel ansiava por assenhorar-se daqueles ídolos, que representavam os deuses da família (Gn 31:34). Os tabletes de Nuzi esclarecem que a possessão desses ídolos emprestava o direito de liderança da família, bem como a herança paterna. Labão tinha filhos para quem a herança seria transmitida. Ficava subenten­dido que Jacó, se ficasse com aqueles ídolos, poderia suplantar novamente a seus cunhados, obtendo a maior parte da herança deixada por Labão. É perfeitamente possível, pois, que os motivos de Raquel fossem econômicos, e não meramente religiosos. Isso permite-nos ver a natureza séria da ofensa. Ver Gn 31:19,30,35.

4.      O Nome Jacó. O sentido básico desse nome é que El (Deus) proteja (no hebraico, Ya' qub el). Esse nome tem sido encontrado em tabletes do século XVIII A.C., descobertos em Chagar Bazar, no norte da Mesopotâmia. O nome Jacó também foi encontra­do como nome locativo, na lista de lugares de Tutmés do século XV A.C.

5.      As Criadas de Lia e Rebeca. Os críticos têm duvidado do relato sobre como Labão deu criadas às suas duas filhas, criadas essas que, posteriormente, tornaram-se concubinas de Jacó. Eles supõem que tais informes são interpolações posteriores, com base no documento chamado S (sacerdotal). Todavia, os tabletes de Nuzi ilustram o costume.

6.      Os Nomes Divinos. Os tabletes de Mari, em escrita cuneiforme, em número de cerca de vinte mil, ilustram os nomes divinos que figuram no livro de Gênesis, falando sobre Yam-Addu e sobre Yawi-el, que seriam paralelos de Yahweh e El, nomes comuns dados a Deus, no Antigo Testamento.

7.      Vida Nômade. Os tabletes de Mari também ilustram a vida nômade dos habitantes da região da Mesopotâmia, a saber, os caneanos, suteanos e benjamitas, e isso lança alguma luz sobre as vidas dos patriarcas hebreus e, mais tarde, as vagueações do povo de Israel pelo deserto.

Bibliografia. AM E GC)R(1940) GOR(1937) GORD HUN MILL ND UN Z
 Fonte: ww.ebdareiabranca.com
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