Geazi, Um homem mudado

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Valdeci Nunes de Oliveira

“Era isto ocasião para tomares prata, e para tomares vestidos, e olivais, e vinhas, e ovelhas e bois e servos e servas?” (II Rs 5:26).

Introdução: É nos capítulos 4-8 do segundo livro dos Reis que vamos encontrar as informações que marcaram a presença de Geazi, como personagem da história do antigo povo de Deus. Embora conhecido como “o moço de Eliseu”, Geazi é mencionado nesse trecho das Escrituras, pelo próprio nome, pelo menos doze vezes (cf. II Rs 4:12,14 ,25,27,29,31, 5:20,21,25, 8:4). O significado do seu nome, em hebraico, é negador ou diminuidor. O que vemos na pessoa de Geazi é uma espécie de satélite que brilha sob o reflexo de uma luz maior que era o profeta Eliseu, a quem servia. Como crente, Geazi demonstrou fraquezas, por mais de uma vez, mas nem todas as suas ações foram marcadas por fragilidades. Analisando o seu modo de proceder, em circunstâncias diferentes, percebemos que errou e acertou, como acontece com qualquer discípulo em processo de aprendizagem. No seu caso, porém, contou com uma grande vantagem: Era acompanhado por um homem de muita fé e suficientemente amadurecido para reorientá-lo. O presente estudo, portanto, tem como propósito apreciar o modo de agir de Geazi, na busca de alguma lição prática.

I – O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE GEAZI

Geazi, o moço de Eliseu: Ao falarmos de Geazi, não podemos deixar de falar a respeito de Eliseu, a quem Geazi chamava de senhor, pois a história de um está intimamente ligada à do outro. Em I Rs 19:19-21, encontramos algumas informações sobre Eliseu. Nesse texto da Escritura, está escrito que Eliseu era um lavrador, filho de Safate, e, no momento em que foi chamado para o exercício do ministério profético, estava lavrando a terra. Tão entusiasmado ficou com o chamado divino que pediu apenas para ir beijar e se despedir de seus pais. Feito isto, tomou uma das juntas de bois com que estava arando a terra, matou-a e, com a aparelhagem que utilizava no serviço, cozeu as carnes e as deu ao povo; em seguida, acompanhou a Elias, por intermédio de quem foi chamado. Depois disto, é só no capítulo 2 do segundo livro dos Reis que temos a continuação de sua história. Por esse tempo, havia, em Israel, uma escola de profetas dirigida por Elias, da qual Eliseu devia ser um dos estudantes. Com o arrebatamento de Elias, Eliseu passou a ser o seu sucessor (II Rs 2:9-11).

Geazi entra em cena: Reconhecido como um santo homem de Deus, Eliseu foi alvo da benevolência de um casal de Suném, que lhe construiu um aposento, nos fundos de sua casa, para que, de passagem por Suném, ali se hospedasse. Constrangido com a atitude daquele casal, Eliseu propôs, em seu coração, recompensá-lo. É aqui que Geazi entra em cena, pela primeira vez. Eliseu se utilizou dele como mensageiro, para chamar a mulher que lhe fizera tal cortesia, com a seguinte missão: "Dize-lhe: Eis que tu nos tens tratado com todo o desvelo; que se há de fazer por ti? Haverá alguma coisa de que se fale por ti ao rei ou ao chefe do exército? E dissera ela: Eu habito no meio do meu povo" (II Rs 4:12-13). Com estas palavras, a mulher deu a entender que, no momento, não precisava de favores. Mas Eliseu insistia em gratificá-la. Então inquiriu de Geazi: "Que se há de fazer, pois por ela? E Geazi disse: Ora, ela não tem filho e seu marido é velho" (II Rs 4:14). E, assim falando, Geazi estava sugerindo que Eliseu intercedesse junto a Deus para que este desse um filho ,àquela mulher. O profeta acatou a sugestão e, certo de que Deus honraria a sua palavra, prometeu: "A este tempo determinado, segundo o tempo da vida, abraçarás um filho (...) E concebeu a mulher, e deu à luz um filho, no tal tempo determinado, segundo o tempo da vida que Eliseu lhe dissera" (II Rs 4:16-17).

Fatos aos quais o nome de Geazi aparece associado: Observamos que, para conhecermos bem uma pessoa, precisamos analisar o seu modo de proceder em situações diferentes. Portanto se quisermos conhecer bem quem era Geazi, precisamos analisar o seu modo de agir em circunstâncias diferentes. Os episódios descritos nos capítulos 4-8 do segundo livro dos Reis, nos quais o nome de Geazi é mencionado, dão-nos uma idéia dos altos e baixos verificados no desenvolvimento do caráter desse homem. Os referidos episódios aconteceram (a) quando sugeriu uma recompensa à mulher sunamita; (b) por ocasião da morte do filho da sunamita; (c) quando ambicionou para si os presentes que Eliseu havia recusado de Naamã, o general sírio; (d) quando temeu os exércitos do rei da Síria, no cerco da cidade de Dotã; (e) e quando narrou, perante o rei Jorão, os feitos de Elizeu (II Rs 4:12 14 , 5:20-24, 6:15 -17 , 8:2-5). Analisemos mais de perto sua conduta.

a) Quando sugeriu uma recompensa à mulher sunamita:

Como dissemos anteriormente, Geazi foi a pessoa a quem Eliseu consultou sobre o que deveria fazer para retribuir à mulher sunamita a cortesia que lhe fizera. Embora Geazi fosse ainda um jovem, deu a Eliseu uma prova de que era inteligente, pois, considerando que a mulher não tinha filhos, concluiu que nenhuma dádiva seria melhor que esta. Ele estava atendendo a um dos mais fortes desejos de uma mulher hebréia, que era o de ter um filho. Então, sugeriu a Eliseu que intercedesse junto a Deus pela concessão de um filho àquela mulher. Eliseu acatou a sugestão, Deus ouviu o pedido, e, no tempo determinado, a mulher deu à luz um filho.

b) Quando o menino da sunamita faleceu:

O filho que Deus concedeu à mulher sunamita, através da intercessão de Eliseu, estando ainda pequeno, veio a sofrer uma forte dor de cabeça e a morrer. Eliseu e Geazi estavam no monte Carmelo, quando foram avisados da morte do menino. Provavelmente, o profeta estava muito ocupado, pois sua decisão inicial fora a de mandar Geazi em seu lugar. Isso demonstra que este era uma pessoa da confiança de Eliseu. Depois de ter dado todas as instruções sobre como Geazi devia proceder, disse-lhe:
"Cinge os teus lombos, e toma o meu bordão na tua mão, e vai. Se encontrares alguém não o saúdes, e se alguém te saudar, não lhe respondas; e põe o meu bordão sobre o rosto do menino. Porém disse a mãe do menino: Vive o Senhor e vive a tua alma, que não te hei de deixar. Então ele se levantou e a seguiu. E Geazi passou adiante deles, e pôs o bordão sobre o rosto do menino; porém não havia nele voz nem sentido. E voltou a encontrar-se com ele, e lhe trouxe aviso, dizendo: “Não despertou o menino” (II Rs 4:29-31).
Coube, pois, a Eliseu ressuscitá-lo. Depois disso, o profeta chamou Geazi e o encarregou de dar à mãe do menino a notícia de que o filho dela vivia.

c) Quando cobiçou os presentes do general Naamã:

Esta, talvez, tenha sido a maior demonstração de fraqueza revelada por Geazi. Naamã, general sírio, havia sido informado, através de uma escrava israelita, que, se fosse à terra de Israel, o homem de Deus (Eliseu), que estava em Samaria, o curaria de sua lepra. Naamã acreditou no que ouviu e, motivado pela esperança de ser curado, formou uma grande comitiva e foi a Samaria, levando muitos presentes a Eliseu, caso fosse curado. Chegando a Israel, obedeceu aos procedimentos determinados pelo homem de Deus e, ao fazê-lo, ficou completamente curado. Contudo, quando ofereceu os presentes a Eliseu, este os rejeitou, por não achar que fosse uma boa ocasião para fazer isso. Então Naamã retornou a seu país, levando de volta todos os presentes. Inconformado com a atitude de seu senhor e querendo tirar proveito da situação, Geazi decidiu ir atrás de Naamã e solicitar dele alguns dos presentes que havia trazido, dando a entender que Eliseu havia mudado de opinião. Ao alcançar Naamã, esta foi a história de Geazi:
"Meu senhor me mandou dizer: Eis que agora mesmo vieram a mim dois mancebos dos filhos dos profetas da montanha de Efraim; dá-lhes, pois, um talento de prata e duas mudas de vestidos. E disse Naamã: Sê servido toma dois talentos. E instou com ele, e amarrou dois talentos de prata em dois sacos, com duas mudas de vestidos, e pô-las sobre dois dos seus moços, os quais os levaram diante dele. E, chegando ele à altura, tomou-os das suas mãos, e os depositou em casa; e despediu aqueles homens e foram-se" (II Rs 5:22-24).
Para isso, Geazi teve de mentir duas vezes: a Naamã e a Eliseu, pois, quando este o inquiriu: "Donde vens, Geazi, ele respondeu: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte" (II Rs 5:25). Agindo assim, Geazi contrariou a vontade de seu mestre e os princípios que regiam a conduta dele. Bem mais tarde, Paulo, numa atitude de reprovação a procedimentos tais como o de Geazi, diz: "De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestido" (At 20:33). Portanto, ao mentir e ambicionar para si os presentes que já haviam sido recusados por Eliseu, Geazi foi repreendido e castigado. A lepra que, antes, estava em Naamã, se transferiu para ele (II Rs 5:25-27). Os fatos mostram que se recuperou da lepra e do seu desvio de conduta, pois continuou servindo a Eliseu como dantes fazia.

d) Quando se intimidou perante o exército do rei da Síria:

Quando o rei da Síria cercou a cidade de Dotã, ao saber que Eliseu estava nela, Geazi se levantou bem cedo naquele dia e, vendo a cidade cercada, exclamou:
"Ai, meu senhor, que faremos? E ele [Eliseu] disse: Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. E orou Eliseu, e disse: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja. E o Senhor abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu" (II Rs 6:15 -17 ).
Não podemos deixar de reconhecer que esta foi mais uma demonstração de fraqueza de Geazi. Mas quem de nós, estando com a visão dele, não sentiria o mesmo? Há situações na vida do crente que, se não forem encaradas com fé, ou seja, com visão espiritual, podem causar preocupação e medo. Quando Geazi percebeu que não estavam sozinhos, e que mais eram aqueles que estavam com eles do que os que estavam com os seus inimigos, com certeza, se sentiu seguro, fortalecido e encorajado.

e) Quando relatou, perante o rei Jorão, os feitos de Eliseu:

Algum tempo depois de Eliseu ter ressuscitado o filho daquela mulher, o Senhor lhe revelou que mandaria sobre Israel uma grande seca, e que esta se estenderia por sete anos. Então, aconselhada pelo profeta, aquela mulher viu-se obrigada a ir peregrinar na terra dos filisteus, tendo lá ficado por todo o tempo que durou a seca. Ao cabo desse tempo e, melhorada a situação em sua terra de origem, ela decidiu voltar. Ao chegar, constatou que tinham se apoderado indevidamente de sua casa e de suas terras. Certo dia, estando Geazi, a pedido do rei Jorão, a relatar os feitos de Eliseu, incluiu, em seu relato, a ressurreição do filho daquela mulher. Coincidentemente, naquele mesmo dia, a mulher, cujo filho fora ressuscitado por Eliseu, compareceu perante o rei para reclamar a reintegração de posse de sua casa e de suas terras, e Geazi a reconheceu. Então, apontando para a mulher, disse: "Ó rei meu senhor, esta é a mulher e este é o seu filho a quem Eliseu vivificou" (II Rs 8:5). Depois de se certificar da veracidade de suas palavras, o rei determinou que todos os bens daquela mulher lhe fossem restituídos (II Rs 8:4-6).

II – LIÇÕES DA VIDA DE GEAZI

1. Como Geazi, precisamos passar por um processo de aprendizagem.

Geazi era um discípulo de Eliseu e, como tal, deveria estar permanentemente atento às ordens recebidas de seu senhor. Não é seguro e nem confiável, especialmente no início de qualquer processo de aprendizagem, o discípulo agir por iniciativa própria, sem a supervisão de seu mestre. Nessa fase, o discípulo ainda está muito inseguro e, por isso, pode cometer muitos enganos. É preciso muito cuidado para que as coisas aconteçam da maneira como foram estabelecidas. Um pequeno descuido, em muitos casos, pode resultar em erros irreparáveis. Precisamos aceitar o fato de que, quando estamos sendo discipulados, quando estamos em fase inicial de aprendizagem, somos como um bebê espiritual em formação. Devemos fazer apenas aquilo que o nosso mestre manda ou em acordo com ele, porque ainda não estamos preparados para agir por conta própria; isto só vai acontecer bem depois. Contudo, Geazi agiu impelido pelo seu próprio impulso. A despeito disto, porém, ele superou sua fraqueza e acabou sendo bem-sucedido no seu aprendizado, porque continuou como assistente de Eliseu. Isso, com certeza, não teria acontecido sem uma significativa mudança em sua vida. Que tenhamos esse progresso.

2. Como Geazi, busquemos a ajuda e a compreensão de um bom orientador.

O papel de Geazi era o de um estagiário ou discipulando, sob acompanhamento. Tudo que lhe fosse ensinado, na teoria ou na prática, com certeza, se refletiria em sua formação. Na maioria dos casos, o sucesso de um estagiário ou discipulando vai depender da forma como é orientado e quando é orientado. Não duvidamos da forma de orientação dada a Geazi por Eliseu. Este foi chamado de “o santo homem de Deus”. No Antigo Testamento, Eliseu foi o profeta que mais realizou milagres. Ele foi um homem de muita fé em Deus. A atitude ambiciosa demonstrada por Geazi não foi por falta de ensinamentos; com certeza, ele os recebeu na medida certa. O erro de Geazi consistiu em fazer algo sem ter consultado o seu mestre, como quando desejou para si os presentes do general Sírio, mostrando-se ambicioso (II Rs 5:21-24). O próprio Eliseu, ao repreendê-lo, mostrou que o momento e a forma como agiu não foram apropriados, ou melhor, foram de todo condenáveis (II Rs 5:25-26). Porém, Eliseu foi tolerante e compreensivo para com o seu servo. Busque, estudante, se cercar de pessoas capazes de orientar bem a sua vida! Felizes são aqueles discípulos que podem contar com um mestre como foi Eliseu para Geazi.

3. Diferentemente de Geazi, tenhamos cuidado para não irmos além do que nos foi ensinado.

Enquanto Geazi fez apenas o que lhe mandara o seu senhor, tudo foi muito bem. O próprio Eliseu chegou ao ponto de ser influenciado por ele, como no caso da sugestão que deu para gratificar a mulher sunamita (II Rs 4:14-16). Era tão grande a confiança que Eliseu depositava em Geazi que o mandou cumprir a quase impossível missão de ressuscitar um morto (II Rs 4:29). Quando Geazi relatou ao rei Jorão os feitos de Eliseu, foi tão persuasivo e convincente que acabou influenciando na decisão do rei Jorão, em favor da mulher sunamita (II Rs 8:4-6). Geazi foi um jovem com virtudes e defeitos como acontece com todos os outros. Desta forma, não é seguro para o jovem de hoje, agir contrariando a orientação dada pelos mais velhos e mais experientes, principalmente se está em fase inicial de aprendizagem. Só depois de um bom período de aprendizado é que o discípulo pode, aos poucos, ir se libertando da tutela de seu mestre. A grande vantagem de Geazi foi ter contado com um discipulador compreensivo, tolerante e perdoador, pois, com certeza, isso contribuiu para mudar o rumo das coisas, com o passar do tempo. Geazi foi restaurado, felizmente. A prova que temos disto está no fato de ter ele continuado como assistente de Elizeu.

CONCLUSÃO

Na análise que fizemos sobre Geazi, concluímos ter sido ele um jovem como qualquer outro, com virtudes e defeitos. Se o julgarmos como digno de censura, com base em um único episódio de sua vida, poderemos cometer uma injustiça, pois há, na conduta daquele jovem, aspectos positivos que precisam ser levados em conta. Há, na igreja, muitos jovens impetuosos, que, no afã de realizar determinadas coisas, acabam fugindo aos padrões de comportamento recomendados. Porém, o que esses jovens mais precisam é de líderes que os orientem, que saibam trabalhar os seus pontos fracos, que sejam tolerantes e pacientes. Elizeu cumpriu muito bem o papel que lhe coube, no tocante a Geazi. Como prova disso, este continuou sendo o servidor de Eliseu. Todos nós somos discípulos, e o Senhor Jesus Cristo é o nosso grande Mestre e Senhor. Diante dele temos cometido muitas falhas; se não fosse a sua misericórdia, há muito que teríamos perecido. Mas ele tem sido compreensivo e perdoador. Tem nos dado novas chances e é por isso que temos permanecido de pé em sua presença até agora. Que o Senhor nos faça servos submissos e obedientes, mas que seja também misericordioso para conosco, quando surpreendidos em alguma fraqueza.

Medite nessas coisas, e que Deus nos abençoe!

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Fonte: Texto de autoria do Pastor Valdeci Nunes de Oliveira adaptado por PC@maral para ilustrar a série "Homens de Mulheres da Bíblia - O exemplo dado por eles"
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Joana, uma mulher apoiadora

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 Por Genilson Soares da Silva



Algum tempo depois Jesus saiu e viajou por cidades e povoados, anunciando a boa notícia do Reino de Deus. Os doze discípulos foram com ele, e também algumas mulheres que haviam sido livradas de espíritos maus e curadas de doenças. (Lc 8:1-2a)


Introdução: Jesus olhou as mulheres com olhos diferentes; tratou-as com uma ternura até então desconhecida, defendeu sua dignidade, acolheu-as como discípulas; tratou-as como seres humanos com necessidades, falhas e talentos. Ele reconheceu o valor delas. Ninguém as havia tratado assim. As pessoas viam-nas como fonte de impureza ritual. Rompendo tradições e costumes, Jesus se aproximou delas sem temor algum; assentou se à mesa com elas e até deixou que os seus pés fossem tocados por uma prostituta que lhe estava muito grata. Elas foram igualmente livres para conversar, seguir, ser amigas e servir a Jesus; podiam relacionar-se com ele da mesma maneira que os homens se relacionavam. Este foi, por exemplo, o caso de Joana, cuja história é comentada na seqüência.

I – O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE JOANA

Evangelho, segundo Lucas, o segundo mais longo livro do Novo Testamento, é também o que mais destaca o papel e o valor das mulheres. As mulheres têm presença e atuação marcantes em seus escritos. Desde o início do seu evangelho, as mulheres dão o tom. A primeira mulher a surgir, em sua narrativa, é Isabel, que não podia ter filhos (Lc 1:24-25). Entre o povo judeu, havia a crença de que uma mulher sem filhos era inferior às que os tinham.

Assim era vista Isabel, mulher do sacerdote Zacarias. Ela, porém, por obra de Deus, ficou grávida. A sua gravidez foi mantida no mais absoluto segredo. Se contasse que estava grávida, dificilmente acreditariam. Então, ela esperou até que as evidências físicas da gravidez surgissem. Após abordar sobre a mãe do precursor (Lc 1:16-17), Lucas passa a tratar da mãe do Salvador. A narrativa do nascimento de Jesus feita por Lucas é diferente da narrativa feita por Mateus. Enquanto Lucas destaca a pessoa de Maria, Mateus destaca a pessoa de José. Há, ainda, outro detalhe interessante na narrativa de Lucas: "rompendo uma linhagem patriarcal, o anjo Gabriel, mensageiro de Deus, aparece a Maria" (Lc 1:28-30) e não a José, como no evangelho de Mateus (Mt 1,20-21). Para Lucas, Maria foi a primeira a acreditar no Deus da Vida (Lc 1:38,45, 2:19,51). Zacarias, homem idoso e sacerdote, reagiu com dúvidas à anunciação do anjo Gabriel, enquanto Maria, a moça simples de Nazaré, acreditou.

O normal seria um homem idoso, portanto, experiente e sábio, entender a mensagem de Deus com mais sensibilidade e dar-lhe mais credibilidade. Afinal, Zacarias era sacerdote, alguém considerado santo, intermediário entre Deus e o povo. Ele, ao contrário de muitos sacerdotes do seu tempo, exercia o seu ofício de maneira correta e piedosa, sempre atento às exigências divinas, prescritas no Antigo Testamento. No entanto, ao ouvir as alegres novas do anjo Gabriel de que a sua mulher, Isabel, teria um filho, Zacarias não acreditou. Sua incredulidade o levou a pedir um sinal de que a promessa seria cumprida. O sinal dado se ajustou a sua incredulidade: ele ficou mudo, até o filho nascer. Quem, portanto, se revelou mais dócil à mensagem de Deus é Maria, uma leiga, mulher nova, pessoa simples.

Ao retratar a cerimônia de circuncisão e apresentação de Jesus, Lucas destaca outra mulher: uma profetisa, chamada Ana (Lc 2:36a). A descrição desta mulher é marcada por um número incomum de detalhes preciosos. Lucas diz que ela era filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara (Lc 2:36b-37a). A preocupação mais importante do evangelista é enfatizar a extraordinária devoção de Ana, desde que perdera o marido: "esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações" (Lc 2:37b). Lucas não pára por aí. Ele diz, ainda, que Ana "dava graças a Deus pelo envio do Messias e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém" (Lc 2:38).

Após se referir a mulheres que não menciona pelo nome, tais como a viúva de Naim (Lc 7:1-12) e à pecadora que ungiu os pés de Jesus (Lc 7:37), Lucas diz que Jesus era seguido também por mulheres: "e os doze iam com ele, e também algumas mulheres" (Lc 8:1b-2a). Isto é incomum, pois os rabis ou mestres da época de Jesus não permitiam que mulheres os seguissem em suas andanças. Na vida dessas mulheres, milagres foram operados: "haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades" (Lc 8:2b). Quais eram essas mulheres? Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras (Lc 8:2c-3a).

Dentre as mulheres identificadas pelo evangelista, está Joana, que significa “agraciada por Deus”. Lucas volta a citá-la na narrativa da ressurreição de Jesus (Lc 24:10). O nome do seu marido era Cuza, nome de origem incerta, que significa “vidente”. O fato de ele ser procurador de Herodes indica que se tratava de um homem que ocupava uma posição de destaque no governo de Herodes Antipas, tetrarca da Galiléia (Lc 3:1) e assassino de João Batista (Lc 3:19). De acordo com a NTLH, "Cuza era alto funcionário do governo de Herodes. Há até quem diga que Cuza pode ter sido o oficial cujo filho Jesus curou de uma grave febre" (Jo 4:46).

Não se diz muita coisa sobre Joana, mas, mesmo assim, é notável a nobreza do caráter dessa mulher, como veremos daqui por diante.

1) Joana era uma mulher agraciada:

Lucas nos informa que as mulheres que acompanhavam Jesus haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades (Lc 8:2a). Joana era uma das mulheres que havia sido fisicamente curada ou espiritualmente liberta pelo poder de Jesus. Ela vivia uma situação bastante angustiante, mas, em Jesus, encontrou perdão para os seus pecados, purificação para as suas injustiças, esponja para o seu passado, alívio para a sua dor, provisões para a sua ansiedade, consolo para as suas lágrimas, luz para o seu caminho, vida eterna para o seu presente e o seu futuro. Desde que se voltou para Jesus, Joana nunca mais foi a mesma. Ela foi grandemente agraciada e abençoada por Jesus.

2) Joana era uma mulher agradecida:

Joana tomou parte no ministério itinerante de Jesus, que, de cidade a cidade, anunciava, com autoridade e sabedoria, o gracioso reinando de Deus, que traz salvação a homens e mulheres perdidos. É bom que se diga que ela não o seguia e não o apoiava porque tivesse sido particularmente convidada ou especialmente designada por Jesus. Ela também não o seguia por interesse político ou material. O que a levou a seguir e apoiar Jesus nessa missão? Gratidão. Na vida de Joana, as boas novas do reino de Deus tornaram-se realidade libertadora e abençoadora. A graça de Jesus mudou o rumo da vida daquela mulher para sempre! Por causa disso, ela tornou-se uma constante seguidora do Libertador.

3) Joana era uma mulher generosa:

"Jesus sendo rico, se fez pobre" (II Co 8:9), "ao ponto de não ter onde reclinar a cabeça" (Mt 8:20; Lc 9:58). Sendo assim, o seu ministério era totalmente dependente da generosidade dos outros. Sabe-se que o grupo apostólico tinha uma bolsa em comum (Jo 12:6, 13:29), da qual tiravam dinheiro não somente para custear o alimento, mas, também, para auxiliar os carentes. Contudo, os outros evangelhos não informam como era enchida. Aqui, no evangelho de Lucas, sabemos que grande parte das doações vinha das mulheres que seguiam Jesus, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens. Joana era dessas mulheres que, de maneira generosa, usava os seus próprios recursos terrenos para sustentar o ministério de Jesus.

4) Joana era uma mulher corajosa:

Ainda no território Galileu, Joana ouvira Jesus dizer, várias vezes, que, em Jerusalém ele seria denunciado, capturado, julgado, condenado e crucificado (Lc 5:35, 9:22, 43-45, 12:50, 13:32-33, 17:25). Joana, porém, continuou seguindo Jesus, até o fim! A fúria dos judeus não a deixou amedrontada. Ela viu Jesus, na cruz, se retorcendo em dor e presenciou a vida se esvaindo de seu corpo (Lc 23:49). Ela – e não os discípulos homens – seguiu e observou José de Arimatéia e Nicodemos prepararem e sepultarem o corpo de Jesus (Lc 23:55). A seguir, ela voltou a Jerusalém para preparar especiarias e perfumes para o corpo do Mestre (Lc 23:55-56).

5) Joana era uma mulher obediente:

Jesus fora rejeitado e crucificado, mas lhe é dado um enterro honrado, graças à iniciativa e à bondade de um membro do próprio Sinédrio, chamado José de Arimatéia. Joana foi uma das mulheres que assistiram a este piedoso homem depositar o corpo de Jesus num túmulo aberto em rocha, onde ainda ninguém havia sido sepultado (Lc 23:53). Depois disso, Joana e as outras foram para casa com o objetivo de preparar as especiarias e os ungüentos. Logo a seguir, Lucas frisa: "e, no sábado, descansaram, segundo o mandamento" (Lc 23:5).

6) Joana era uma mulher ensinável:

Antes de partir da Galiléia, Jesus falou abertamente acerca de sua crucificação e sua ressurreição. Os seres angelicais fizeram alusão a este ensino para convencer Joana e as outras acerca da realidade da ressurreição de Jesus (Lc 24:6-7). Então, se lembraram das suas palavras (Lc 24:8). Joana absorveu e guardou, em sua memória, as palavras do amado Mestre e Senhor Jesus, que prediziam a ressurreição dele. Ela não era uma ouvinte displicente e descuidada, nem como aquelas mulheres instáveis da igreja de Éfeso, "que estão sempre tentando aprender, mas nunca chegam a conhecer a verdade" (II Tm 3:7). Joana e as demais rapidamente entenderam que o corpo de Jesus não havia sido removido, mas ressuscitado! Joana, que constatou, pessoalmente, a crucificação e o sepultamento de Jesus, presenciou, também, a realidade da sua ressurreição.

7) Joana era uma mulher crédula:

Quando os dois seres angelicais afirmaram: "ele [Jesus] não está aqui, mas ressuscitou" (Lc 24:6a), Joana e as demais do grupo não somente entenderam aquelas palavras, mas também acreditaram plenamente nelas. Elas, então, foram ao lugar onde os onze e os demais discípulos estavam, para anunciar-lhes a incrível realidade da ressurreição de Jesus. Mas a história narrada pelas mulheres foi recebida por eles como fantasia: "tais palavras lhes pareciam um como delírio" (Lc 24:11 a). O termo grego “leros”, traduzido por “delírio”, significa, literalmente, “tolices”. A seguir, Lucas destaca: "e não acreditaram nelas" (Lc 24:11 b). Vale dizer que, “como as mulheres, os apóstolos tinham ouvido as profecias dos lábios de Jesus, mas eles estão completamente céticos. Eles se recusam a acreditar.” [ARR INGTON, L. French e STRONSTAD, Roger (Editores). Comentário Bíblico Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 474.]

E assim termina a história de Joana. Nada mais é dito sobre ela. Não há menção dela nas cartas de Paulo, Tiago, João, Judas, Pedro. Uma coisa, porém, ficou clara: a devoção de Joana pelo Senhor fica evidente pelo serviço constante que dedicou a ele. Cuidou de Jesus, até mesmo depois da morte. A essa altura, devemos nos perguntar:
por que Joana resistiu ao escândalo da cruz? Por que ficou perto de Jesus, mesmo quando tudo parecia acabado e, inclusive, seus discípulos mais íntimos o haviam abandonado? A resposta contém quatro letras: amor.
Joana amava a Jesus de todo o seu coração, de toda a sua força e de todo o seu entendimento. Ela, porém, o amava porque ele a amou primeiro. Joana foi, sem dúvida, uma mulher extraordinária e perseverante em sua assistência ao seu Senhor. Sendo assim, quando Cristo Jesus, o nosso grande Deus, retornar, de maneira visível, pessoal e gloriosa para aqueles que o aguardam para a salvação, a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis (I Co 15 :52b). Joana também ressucitará incorruptível; será uma das milhares de pessoas que ouvirão dos lábios de Jesus:
"vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mt 25:34).
Enfim, Joana, certamente, estará entre aqueles que "subirão, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares" (I Ts 4:17 ), e, assim, ela também estará para sempre com o Senhor.

II – LIÇÕES DA VIDA DE JOANA

1. As mulheres que apóiam a causa de Cristo desejam ser tratadas com santidade.

Joana deve ter ficado muito feliz, quando notou que Jesus aceitava com ternura a presença de mulheres solteiras e casadas nas suas caminhadas missionárias (Lc 8:1b-2a). Para Joana, aquela atitude era inédita, pois os rabinos aceitavam as contribuições financeiras femininas (Lc 20:47 ), mas não a sua companhia, porque não podiam conter seus desejos e olhares impuros sobre elas (Mt 5:28). O jeito de Jesus lidar com as mulheres, porém, era diferente. Ele as tratava como pessoas, não objetos de desejo. Sabe-se que, em grande parte das igrejas locais, as mulheres são maioria. Sendo assim, não é possível evitar a sua companhia, nem é bíblico proibir a sua colaboração no serviço cristão. O que fazer? Como tratar essas mulheres que apóiam a causa de Cristo? Há uma orientação bíblica a esse respeito: "Trate (...) as mulheres idosas, como mães e as mulheres jovens, como irmãs, com toda a pureza" (I Tm 5:1a-2, NTLH).

2. As mulheres que apóiam a causa de Cristo desejam ser tratadas com dignidade.

Joana viveu numa época em que mulher era vista como alguém incapaz de aprender, de assimilar, de debater verdades espirituais. Os homens iam às sinagogas para aprender, mas as mulheres para ouvir apenas. Os rabinos diziam que era melhor queimar os livros da lei que permitir que uma mulher os lesse. Diante disso, foi grande a admiração de Joana pelo Mestre dos mestres, quando notou que ele admitia que as mulheres eram não somente capazes de aprender e entender, mas, também, de participar de debates bíblicos (Mt 15 :21-28; Mc 14 :3-9; Lc 10:38-42; Jo 4:7-12, 11 :20-33). Ela deve ter se sentido profundamente respeitada e dignificada, quando Jesus se dispôs a ensinar-lhe acerca de sua crucificação e sua ressurreição (Lc 24:6-8). As mulheres que apóiam a causa de Cristo desejam ser tratadas com dignidade. Não podemos pensar que todas as mulheres da igreja de Cristo são como as da igreja de Éfeso: "mulheres que estão sempre tentando aprender, mas nunca chegam a conhecer a verdade" (II Tm 3:7). Há muitas que são capazes, não somente de ouvir e aprender, mas também de ensinar a verdade da palavra de Deus.

3. As mulheres que apóiam a causa de Cristo desejam ser tratadas com confiança.

Tente imaginar o quanto Joana se sentiu valorizada, ao receber dos seres angelicais a missão de comunicar aos discípulos a extraordinária mensagem da ressurreição de Jesus. Joana vivia num mundo onde ninguém dava credito às palavras de uma mulher. Ela sabia que, nos tribunais, a palavra feminina tinha o mesmo valor da palavra de um escravo gentio, ou seja, quase nenhum. O mundo não acreditava na capacidade da mulher, mas Jesus acreditou (Mc 16 :14 ; Lc 24:22-26). No dia de Pentecostes, não foram somente os homens que ficaram cheios do Espírito Santo, mas também as mulheres (At 1:13-14 ) presentes no cenáculo participaram, igualmente, daquela experiência de revestimento para a proclamação. Talvez Joana tenha sido uma delas. O Espírito Santo, sobre quem Jesus tanto falou, em seus últimos ensinos, não recriminou nem desprezou as mulheres! Ele capacitou (Rm 16 :1, 3-5a,6,12-13) e capacita mulheres para levarem o evangelho salvador e poderoso do Senhor Jesus aos perdidos.

CONCLUSÃO

Não temos, nos evangelhos, nenhuma mulher opondo-se a Jesus. As mulheres aparecem para apoiar e ajudar o ministério de Jesus. Este é, como vimos anteriormente, o caso de Joana, que foi tratada por Jesus de modo gentil, limpo e digno. O mesmo Jesus de Joana continua buscando tais amizades com milhares de corações femininos. Ele continua esperando a cooperação perseverante e a assistência espontânea das mulheres no ministério da sua Igreja, que se pareçam com Joana, em caráter, ou seja, que sejam agradecidas, generosas, obedientes, ensináveis, corajosas, crédulas. A história de Joana não está registrada no evangelho apenas para ser estudada e admirada, mas, também, para ser imitada.

Que Deus nos abençoe e guarde!


Fonte: Texto de autoria do Pastor Genilson Soares da Silva adaptado por PCamaral para ilustrar a série "Homens de Mulheres da Bíblia - O exemplo dado por eles"
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Dorcas, Cheia de boas obras

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Texto: Atos 9:36-43 "Havia em Jope uma discípula por nome Tabita, que traduzido quer dizer Dorcas, a qual estava cheia de boas obras e esmolas que fazia. Ora, aconteceu naqueles dias que ela, adoecendo, morreu; e, tendo-a lavado, a colocaram no cenáculo. Como Lida era perto de Jope, ouvindo os discípulos que Pedro estava ali, enviaram-lhe dois homens, rogando-lhe: Não te demores em vir ter conosco. Pedro levantou-se e foi com eles; quando chegou, levaram-no ao cenáculo; e todas as viúvas o cercaram, chorando e mostrando-lhe as túnicas e vestidos que Dorcas fizera enquanto estava com elas. Mas Pedro, tendo feito sair a todos, pôs-se de joelhos e orou; e voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te. Ela abriu os olhos e, vendo a Pedro, sentou-se. Ele, dando-lhe a mão, levantou-a e, chamando os santos e as viúvas, apresentou-a viva. Tornou-se isto notório por toda a Jope, e muitos creram no Senhor. Pedro ficou muitos dias em Jope, em casa de um curtidor chamado Simão".
Introdução: A história de Dorcas, que constitui o objeto deste estudo, tem sido uma inspiração para milhares de pessoas. Ela é cheia de lições valiosas, as quais são importantes e algumas das quais necessitam de especial ênfase nestes dias.
Dorcas morava em Jope, uma cidade situada na costa do Mediterrâneo, que na época era o principal porto da Palestina - comparar com Jonas 1:3 e Atos 10:5-8.
Havia uma igreja cristã em Jope, e é possível que os crentes se reunissem para o culto na casa de Dorcas, que naqueles dias era o costume - observar Atos 12:12 e Romanos 16:5.
Observe:

I. O significado do seu nome.

O versículo 36 nos diz que o seu nome em aramaico era Tabita, mas em grego era Dorcas, que significa "antílope" ou "gazela" - um animal muito gracioso! Um escritor diz que "o nome dela está na Bíblia como símbolo de Naftali (Gênesis 49:21), aquele que profere palavras formosas; então, como suspirando pelas correntes das águas, buscando tudo em Deus (Salmo 42:1), e como ligeiro de pés (2 Samuel 2:18), e assim, saltando (Isaías 35:6); expressivo também de terno amor (Provérbios 5:19); da beleza da forma (Cântico dos Cânticos 2:9), e como frutífero através da voz do Senhor (Salmo 29:9)".
Pondere isso! Nossa vida deve ser como gazela - graciosa.
Observe:

II. Que ela é mencionada como uma discípula.

Veja o versículo 36 - "uma discípula". O nome “discípulo” foi aplicado para os primeiros seguidores de nosso Senhor Jesus Cristo, e qualquer concordância mostrará a frequência com que é usado nos evangelhos e no livro de Atos.
Mas o que é um discípulo?
Um aluno. Um discípulo de Jesus é aquele que se senta a seus pés e aprende dEle - observe Lucas 10:38-42 e Mateus 11:29.
Na forma que a palavra foi usada, um discípulo significava um cristão, como podemos aprender com Atos 11:26 e muitas outras referências.
Mas hoje há muitos cristãos que não estão no verdadeiro sentido prático da palavra discípulos. Para ser um verdadeiro discípulo significa aceitar a autoridade do Senhor, Sua Excelência, Sua disciplina e fazer a Sua vontade.
Você é um crente - mas você é um discípulo?
Observe:

III. Dorcas dedicou sua vida a fazer boas ações.

O versículo 36 nos diz que ela "ela era notável pelas boas obras e esmolas que fazia" Ela era uma fazedora, não apenas uma faladora! E no versículo 39 nos é dito sobre o ministério específico que ocupava muito do seu tempo - "ela fazia túnicas e vestidos..." Uma agulha é uma coisa muito pequena, e a capacidade de usá-lo é bastante comum hoje em dia, mas aqui é um ministério aceitável ao Senhor e que trouxe muito conforto e alívio para os Seus filhos.
Observe que ela era uma senhora que estava cheia de boas obras e aqui está uma lição muito importante. Ninguém pode ser salvo pelas obras, como aprendemos em Efésios 2:8-9 e Tito 3:5, mas a obrigação de cada pessoa salva é ser como Dorcas, fazer boas obras; olhar Efésios 2:10. Compare os dois seguintes dizeres fiéis: o primeiro salienta que a salvação nos é dado sem pratica das obras, mas o segundo enfatiza que o resultado e as provas de ser salvo é fazer boas obras - Olhe 1 Timóteo 1:15 e Tito 3:8.
Observe:

IV. A variedade de ministérios em operação no trabalho da igreja.

Quando Dorcas morreu, lemos que:
a. Algumas das mulheres trabalharam por lavar o corpo e colocando-o em uma sala superior - versículo 37.
b. Dois homens não identificados trabalharam indo em uma missão a Lida para trazer Pedro - versículo 38.
c. Peter entrou e exerceu um ministério especial de fé e oração - versículos 39-41.
d. As viúvas também ministraram - versículo 39.
Há muito espaço para trabalhadores dispostos na igreja de Deus. Nem todos podem fazer... mas todos podem.
Então Pedro orou a oração da fé, e Dorcas foi ressuscitada dentre os mortos.
Sua abordagem de toda esta situação é mais instrutiva, pois nos dá uma lição sobre como buscar a restauração de almas mortas, daqueles que estão "mortos em delitos e pecados" - olhar para Efésios 2:1.
Pedro mandou todos para fora da sala (versículo 40). Só Deus podia restaura-la, então Pedro deveria ficar sozinho com Ele.
Pedro ficou de joelhos e orou (versículo 40).
Reverência, sinceridade, seriedade - a oração da fé (Tiago 5:13-18).
Pedro falou com Dorcas (versículo 40).
a. Em busca da restauração de almas, devemos testemunhar (Jó 22:29, Salmo 107:2).
b. Pedro ajudou Dorcas e mostrou simpatia (versículo 41).
c. Como isso é necessário se quisermos nutrir os novos convertidos!
Pedro apresentou-a viva (versículo 41).
Que alegria para Pedro, para Dorcas e para os santos em Jope! Que alegria para nós quando Deus abençoa o nosso ministério (Salmo 126:6)! Que alegria no céu por cada alma morta ressuscitada para a vida – veja Lucas 15:5; 8-10 e 23-24.
Que o Senhor abençoe estas palavras aos nossos corações.



Pr. Aldenir Araújo

Fonte: www.opregadorfiel.com.br

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Ninrode, um poderoso caçador

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1. Nome e Família

São disputados tanto a origem desse nome quanto se o mesmo é semítico ou não. Talvez venha do egípcio, mrd, «rebelde». Ele era filho de Cuxe, um guerreiro e caçador. Ninrode fundou o reino da Babilônia, que, com o tempo, chegou a incluir a Assíria (ver Gn 10:6-8). Sendo filho de Cuxe (I Cr 10:10), Ninrode estava relacionado ao Cuxe camítico de Gn 10:6.

2. Descrições e Identificação

Em Gn 10:8,9, Ninrode é chamado gibbor, «guerreiro». Ele era habilidoso como lutador, matador e caçador, três coisas nas quais os homens encontram muita glória, desde a Antigüidade até hoje. Os estudiosos comparam-no com Sargão, de Agade (cerca de 2330 A.C.), que também foi grande guerreiro e caçador, e que veio a tornar-se um dos remotos líderes assírios. Não há que duvidar que homens da estirpe de Ninrode e Sargão deixaram muitas lendas, que se desenvolveram em torno de suas pessoas. A semelhança de certos heróis gregos, foram reputados semideuses ou «heróis», no sentido grego desse vocábulo.
Divindades como Ninurta (Nimurda), e outros deuses babilônios e assírios da guerra e da caça, eram incensados da mesma maneira que Ninrode o foi. Por essa razão, os eruditos supõem que Ninrode represente alguma antiga mitologia que mais fazia parte da religião do que da história. E outros vêem em Ninrode o protótipo de Nino, o fundador clássico da cidade de Nínive. Ou, talvez, ele tenha sido o mesmo Gilgamés, um rei-heróico épico de Ereque (cerca de 2700 A.C.). Havia um antiqüíssimo provérbio aplicado a ele: «como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor» (Gn 10:9). Ainda outros estudiosos procuram encontrar alguma ligação entre Ninrode e Marduque, uma das principais divindades babilônicas.
Os estudiosos conservadores, naturalmente, con­tentam-se somente com a interpretação que vê Ninrode como uma personagem histórica, sem importar se lendas e mitos vieram a vincular-se mais tarde a seu nome, incluindo noções de divindade. É curioso, para dizer o mínimo, que muitos nomes locativos, na Babilônia, reflitam esse nome, como Birs Ninrud, Tell Nimrud (perto de Bagdá) e o cômoro de Ninrode (antiga Cala). — Essa circunstância ilustra o fato de que havia uma rica tradição em torno de sua pessoa.

3. Reino de Ninrode

O reino ou «terra de Ninrode» (Mq 5:6), refere-se à região adjacente à Assíria, a qual incluía as grandes cidades de Babel, Ereque (Warka), Acade (Agade), além de várias outras, na «terra de Sinear» (Gn 10:20; 11:2). O trecho de Gn 10:11 relata como Ninrode fundou Nínive, Reobote-Ir, Calá e Resen. Se, realmente, ele foi uma personagem histórica, então floresceu em cerca de 2450 A.C. Os muitos nomes de lugares que incorporam o seu nome emprestam crença à sua historicidade, embora saibamos tão pouco a seu respeito. Poderia ter-se seguido a sua deificação, fazendo com que seu nome se misturasse com religiões subseqüentes. Se o Cuxe babilônico tiver de ser identificado com Quis (conforme alguns estudiosos supõem), então já teremos um pouco mais de informações sobre o reino fundado por Ninrode. A dinastia de Quis teve vinte e três reis que representaram a primeira dinastia mesopotâmica, e que governou pouco tempo depois do dilúvio de Noé.

4. Caráter

A Bíblia fornece-nos algum relato relativo a Ninrode. Mas o significado do seu nome, «rebelde», parece fazer dele uma espécie de anti-herói indesejá­vel. Ele era o tipo de rei que Deus jamais aprovaria, um caçador e matador, em contraste com a idéia de um rei-pastor (ver II Sm 5:2; 7:7; Ap 2:27; 19:15). Um caçador satisfaz-se às custas de suas vítimas. Mas um pastor preocupa-se em proteger seus animais e cuidar deles. Por outro lado, a declaração de que ele foi «poderoso caçador diante do Senhor» (Gn 10:9), poderia ter a intenção de ser um elogio. Coisa alguma era e continua sendo mais comum do que a glorificação da força bruta, por parte dos homens; e nada é mais comum do que dar pouca importância ao sofrimento humano.

Bibliografia Champlin
Fonte: www.ebdareiabranca.com

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Arão, o Sacerdote

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VISÃO GERAL

Arão era irmão de Moisés. Ele foi também o primeiro Sumo-Sacerdote de Israel. No Velho Testamento Arão falou por Moisés, começando no Egito quando este confrontou Faraó. Era assistente de Moisés durante o êxodo dos Israelistas do Egito. Três anos mais velho que Moisés, tinha 83 anos quando ambos confrontaram Faraó pela primeira vez. (Êxodo 7:7). A irmã deles, Miriam (Números 26:59), deve ter sido a filha mais velha. Atuou como mensageira quando o bebê Moisés foi achado pela filha de Faraó. (Êxodo 2:1-9)

VIDA FAMILIAR

Arão e sua esposa, Eliseba, tiveram quatro filhos (Êxodo 6:23). Todos seguiram seus passos, tornando-se sacerdotes em Israel (Levítico 1:5). Dois deles, Nadabe e Abiú, violaram as instruções de Deus. O sacrifício que ofereceram não foi agradável a Deus e em consequência morreram queimados. (Levítico 10:1-5) O sacerdócio então foi passado aos seus dois irmãos, Eleazar e Itamar. Estes também não seguiram fielmente os mandamentos de Deus (Levítico 10:6-20).

Arão foi um personagem importante no Êxodo, em parte porque era irmão de Moisés. Quando Deus escolheu Moisés, tentou evitar que, por causa de um problema na fala, o líder de Israel ficasse numa situação constrangedora. Deus reconheceu em Arão o dom da oratória e disse a Moisés que Arão falaria por ele. Porém, algumas vezes, Arão fez mal uso de suas habilidades de líder, como quando ajudou o povo a construir um ídolo para adoração no deserto enquanto Moisés se demorava no encontro com Deus no Monte Sinai.

ARÃO NO EGITO

No início da vida de Arão, o povo hebreu era escravo no Egito. Moisés tinha sido apresentado como egípcio por uma das filhas de Faraó. Mas ele fugiu para o deserto de Midiã depois de matar um escravo egípcio que espancava um hebreu (Êxodo 2:11-12). Quando Deus chamou Moisés de volta para libertar o seu povo (Êxodo 3-4), chamou também Arão para encontrar Moisés no deserto(Êxodo 4:27). Depois de tantos anos de exílio, Moisés era um estranho para seu povo. Assim, Arão fez contato com os anciãos de Israel por ele. (Êxodo 4:29-31). Quando Moisés e Arão foram encontrar o Faraó, Deus falou ao líder egípcio através dos dois para que libertasse os israelitas (Êxodo 5:1) . Ao invés disso, Faraó tornou a vida dos escravos hebreus ainda mais difícil. Entretanto, Deus começou a mostrar o Seu poder para o governante egípcio através de uma série de milagres (Êxodo 5-12) . Deus operou os três primeiros milagres através de Arão, usando uma vara (provavelmente um cajado usado pelos pastores de ovelhas). Havia mágicos no palácio de Faraó que faziam truques semelhantes. Depois que Deus mandou sobre todo o Egito a praga das moscas, os encantadores egípcios admitiram a derrota e disseram "Isto é o dedo de Deus!" (Êxodo 8:19) Então Deus mandou mais pragas através de Moisés. A desgraça final foi a morte de todos os primogênitos egípcios. Arão estava com Moisés (Êxodo 12:1-28) quando Deus lhe revelou como redimiria os israelitas que tivessem os lares devidamente identificados. Deus pouparia seus filhos na noite em que as crianças egípcias morressem. Aquele evento era a origem da festa da Páscoa ainda hoje observada pelos judeus. (Êxodo 13:1-16).

LIDERANÇA NO DESERTO

Deus guiou os israelitas em segurança e destruiu os perseguidores egípcios. Arão ajudou Moisés a conduzir o povo na sua longa peregrinação pelo deserto e a viagem para a Terra Prometida (Êxodo 16:1-6). Mais tarde, lutando contra o exército de Amaleque, Arão ajudou a sustentar os braços de Moisés erguidos em oração para manter as bênçãos de Deus (Êxodo 17:8-16). Embora Moisés conduzisse os israelitas, Arão era visto como um importante líder (Êxodo 18:12). Deus o chamou para estar com Moisés quando lhe deu a lei no Monte Sinai (Êxodo 19:24). Arão foi um dos que ratificaram a lei de Deus no Livro da Aliança (Êxodo 24:1-8). Arão subiu com esses líderes em direção ao monte santo. Ele teve a visão do Deus de Israel (Êxodo 24:9-10). Arão e Hur ficaram cuidando do povo enquanto Moisés estava com Deus no alto do monte (Êxodo 24:13-14). Foi aí que os problemas começaram. Moisés esteve ausente por quase um mês. Num momento de fraqueza, Arão cedeu ao apelo do povo por um ídolo para adorar. Ele fundiu algumas peças de ouro para fazer a estátua de um bezerro (Êxodo 32:1-4). Inicialmente, Arão pensou que estava fazendo algo agradável a Deus (Êxodo 32:1-4). Mas perdeu-se o controle da situação e uma festa selvagem e pecaminosa aconteceu em redor do ídolo (Êxodo 32:6). Deus estava irado a ponto de destruir o povo, mas Moisés intercedeu por ele. Ele lembrou a Deus Sua promessa de multiplicar a descendência de Abraão (Êxodo 32:7-14). Moisés estava furioso com a imoralidade e idolatria. Mas Arão lançou a culpa do ocorrido sobre o povo, sem admitir a sua própria culpa (Êxodo 32:21-24). Os idólatras foram punidos com a morte (Êxodo 32:25-28) e toda a terra com uma praga (Êxodo 32:35). Arão não foi punido. Moisés disse que Arão estava em grande perigo, mas foi poupado porque Moisés orou por ele. (Deuteronômio 9:20).

No segundo ano de peregrinação no deserto, Arão ajudou Moisés a realizar um censo para contar o povo (Números 1:1-3,17-18). Mais tarde Arão teve inveja de Moisés por sua posição de liderança. Ele e Miriam, sua irmã, começaram a conspirar contra ele, embora Moisés fosse o homem mais humilde na face da terra (Números 12:1-4). A ira de Deus sobre eles foi aplacada pela oração de Moisés. Miriam sofreu pelo seu pecado (Números 12:5-15). Arão novamente escapou da condenação. Com Moisés, enfrentou uma rebelião em Cades-Barnéia. (Números 14:1-5) e com ele permaneceu numa outra rebelião posterior. (Números 16). Os israelitas quase se revoltaram de novo em Meribá. Deus acusou Moisés e Arão de não terem acreditado na Sua palavra e negou-lhes a entrada na Terra Prometida (Números 20:1-12).


Artigo extraido da Ilúmina

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Absalão, um homem astucioso

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Por José Lima de Farias Filho


Absalão também dizia: “Ah! Se eu fosse o juiz aqui! Então qualquer pessoa que tivesse uma questão ou um pedido poderia me procurar, e eu faria justiça”. (II Sm 15 :4 NTLH)

Introdução: A história de Absalão é uma das mais tristes e comoventes do Antigo Testamento. Ele era um jovem bonito, cheio de vida e de sonhos. Criado no palácio real, conheceu e experimentou tudo o que há de bom e de ruim no mundo restrito dos poderosos. Mas os atos pecaminosos da família real foram decisivos para que o jovem Absalão se transformasse, aos poucos, num homem astucioso, vingativo e traidor. Neste artigo, veremos como é danoso o pecado numa família. Quando não é enfrentado e combatido com severidade, suas conseqüências são imensamente terríveis. Na casa de Davi, por um período, o pecado esteve presente de forma tão intensa que a vida do jovem Absalão foi tragada prematuramente. Que a história desse jovem nos ajude a lidar corretamente com os perigos que a vida nos impõe.

I – O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE ABSALÃO

Absalão, cujo nome significa “pai [é] de paz”, foi um homem de guerra. Ele era o terceiro filho de Davi, e sua mãe chamava-se Maaca, filha do rei de Gesur, chamado Talmai (II Sm 3:3). Nascido em Hebrom (II Sm 3:2), Absalão foi um dos homens mais belos da história bíblica:
"Não havia, porém, em todo o Israel homem tão celebrado por sua beleza como Absalão; da planta do pé ao alto da cabeça, não havia nele defeito algum" (II Sm 14:25).
Ele tinha uma beleza que também fora transmitida à sua irmã:
"Tinha Absalão, filho de Davi, uma formosa irmã, cujo nome era Tamar" (II Sm 13:1).
A história deste homem é narrada em II Samuel 13-18. Em Israel, desde os tempos mais remotos, até os dias de hoje, toda criança aprende a decorar a lei de Deus (cf. Dt 6:1-9). Um dos mandamentos é este: "Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá" (Êx 20:12). Absalão havia decorado a lei, desde a sua tenra infância. Mas suas atitudes mostram que, para ele, a lei de Deus nada mais era do que pura retórica. Criado no palácio, acostumado a conforto e riqueza, informado sobre os bastidores do governo, sabedor das intrigas palacianas, Absalão foi lentamente desejando o poder; seu coração tornava-se possuído por um desejo incontrolável de ser rei.

Tudo isso começou depois que seu pai adulterou com Bate-Seba e mandou matar o marido desta, chamado Urias (cf. II Sm 11-12). Davi jamais chamou Absalão para conversar sobre seu terrível pecado. Enquanto Absalão desenvolvia seus planos de poder, seu irmão paterno, Amnom, primeiro filho de Davi com outra mulher, desenvolvia um plano repugnante: ele queria deitar-se com a bela Tamar, sua meia irmã. Amnom alimentou um amor pecaminoso, e, ao ser rejeitado, usou a força e estuprou Tamar (II Sm 13:1-19 ). Davi se indignou muito, mas nada fez (II Sm 13:21). Este episódio absurdo, contudo, revela outra faceta do coração de Absalão: ele era um homem violento e vingativo.

Ao saber do ocorrido, não falou com Amnom nem mal nem bem; porque odiava a Amnom, por ter este forçado a Tamar, sua irmã (II Sm 13:22). Absalão manteve-se em silêncio, porque era homem astuto, sabia a hora de agir. Dois anos mais tarde, ele deu vazão ao seu coração violento: armou uma cilada e mandou matar Amnom (II Sm 13:23-29). Outra vez Davi se indignou muito, mas nada fez (II Sm 13:31). Absalão fugiu para a cidade de Gesur, e lá ficou exilado, por três anos (II Sm 13:37-38). Davi chorava todos os dias a morte de Amnom, mas nada fazia (II Sm 13:37). Diante disso, Joabe usou uma mulher habilidosa nas palavras para convencer Davi a receber seu filho em Jerusalém. Com o consentimento do rei (II Sm 15:1-22), Joabe repatriou Absalão, mas Davi disse ao filho: Torne para a sua casa e não veja a minha face (II Sm 15:24a).

Por dois anos, Absalão ficou sem ver o rosto de seu pai (II Sm 14:28). Sentindo-se isolado e discriminado, o jovem mandou chamar Joabe, e, por seu intermédio, mandou este recado ao rei: "Para que vim de Gesur? Melhor me fora estar ainda lá. Agora, pois, quero ver a face do rei; se há em mim alguma culpa, que me mate" (II Sm 14:32). Finalmente, Davi recebeu seu filho e o beijou (II Sm 14:33). Mas, o coração de Absalão já não estava disposto a conviver em harmonia com o pai. Ele perdera o respeito por Davi. O quinto mandamento nada mais significava para ele. O jovem príncipe, então, decidiu colocar em prática um astucioso plano para arrancar Davi do trono. Para mostrar força, aparelhou-se com carro, cavalos e cinqüenta homens; passou a fazer contato com o povo; desde a manhã, ficava à porta da cidade de Jerusalém, recepcionando, ouvindo, conversando com as pessoas simples, que vinham de várias cidades de Israel, cumprimentando-as, fazendo-se amável, doce, educado, gentil, solícito com os israelitas. “Absalão falava com todos, ouvindo seu clamor e queixas contra o rei”.

Mas ele não estava interessado nos problemas do povo, nem em ajudar seu pai a governar bem; o que ele queria era saber o nível de insatisfação do povo contra o rei e ter o apoio popular contra seu pai. Para tanto, apresentou-se como alguém que sofria as mesmas dores e enfrentava as mesmas dificuldades do povo. “Sou como vocês!” Absalão era homem astuto nas palavras: “Olhe! A lei está do seu lado, mas não há um representante do rei para ouvir o seu caso” (II Sm 15:3 – NTLH). E dizia mais: “Ah! Se eu fosse o juiz aqui! Então qualquer pessoa que tivesse uma questão ou um pedido poderia me procurar, e eu faria justiça” (II Sm 15:4 – NTLH).

Absalão sabia falar ao coração das pessoas. O povo não percebeu o engodo.
Infelizmente, na maioria das vezes, a maioria não percebe quando os fraudulentos se aproximam, e, com palavras mansas e manhosas, os enganam.
Aos olhos do povo, a figura de Absalão começou então a distanciar-se de Davi, seu pai”. A cada dia, a imagem de Davi era desgastada e a de Absalão, fortalecida. As pessoas começaram a dar razão àquele jovem astuto. “Eles consideravam os atos e palavras de Absalão como sendo genuínos, e não traiçoeiros”. Ninguém discerniu que ali estava um filho traindo o pai.

A Bíblia mostra que, por quatro anos, Absalão se disfarçou de amigo do povo: E, quando alguém chegava perto de Absalão para se curvar diante dele, ele o segurava, abraçava e beijava (II Sm 15 :5 – NTLH). Quanta dissimulação! Ninguém percebeu que ele furtava o coração dos homens de Israel (II Sm 15 :6). Quando Absalão teve certeza absoluta de que o povo o amava mais do que a Davi, quando viu que a revolta contra o rei ficou mais forte, e os [seus] seguidores (...) aumentaram (II Sm 15:12b – NTLH), armou o último passo para seu golpe de Estado: Mentiu para Davi, dizendo-lhe que teria de ir a Hebrom para prestar um culto a Deus, como cumprimento de um voto que, na verdade, nunca fizera (15:7-9). Ele usou Deus, o culto, tudo o que pôde para seus fins políticos. Como Absalão é atual! Traições como a de Aitofel são ainda mais atuais (15:12a). O príncipe astuto sentiu-se seguro e ofereceu sacrifícios públicos em Hebrom, para manter a farsa (II Sm 15:12). Em secreto, porém, mandou as últimas orientações aos líderes das doze tribos, para que o golpe fosse perfeito: "Quando ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão é rei em Hebrom!" (II Sm 15:10). Os homens de bem, contudo, de nada sabiam (II Sm 15:11).

Quando Davi foi informado de que os israelitas haviam passado para o lado de Absalão (15:13 – NTLH), já era muito tarde. O conspirador maldoso acabara de realizar o sonho de sua vida: ser rei, ser poderoso, ser único. Como um rei tão capacitado como Davi permitira que atos tão reprováveis se desenvolvessem ao seu redor, sem que de nada soubesse? Não há respostas fáceis, mas não é exagero dizer que seu pecado com Bate Seba e os subseqüentes atos pecaminosos de seus filhos deixaram-no profundamente fragilizado espiritualmente. O astuto Absalão se aproveitou desse “vácuo” espiritual do rei.

Não é à toa que a Bíblia adverte: "Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar" (I Pe 5:8). A notícia de que o povo seguia a Absalão equivalia a uma declaração de guerra. Por essa razão, Davi temeu muito e teve de sair correndo de Jerusalém, levando a arca da Aliança. Ele, sua família, seus sacerdotes e conselheiros, fugiram chorando em voz alta (15 :14 -18 ,23). Sem palácio, longe do Templo, Davi mandou os sacerdotes oferecerem sacrifícios a Deus, ordenou a devolução da arca a Jerusalém e, com o coração aos pedaços, revelou um desejo incontido: "Se o SENHOR está satisfeito comigo, um dia ele me deixará voltar para ver a arca e a casa onde ela fica. Mas, se ele não está satisfeito, que faça comigo o que quiser!" (15 :25-26 – NTLH).

Davi mandou Husai a Jerusalém como seu informante, disfarçado de conselheiro de Absalão, a fim de contrapor-se aos conselhos do traidor Aitofel (II Sm 15:34). A estratégia deu certo: "Absalão acreditou na lealdade de Husai" (16:15-19). A diferença entre os dois conselheiros estava no caráter. Seguindo o conselho maligno de Aitofel, Absalão cometeu imensa torpeza, ao se relacionar sexualmente com as concubinas de Davi, em frente de todo o povo de Israel (16:20-23). Tal ato foi uma afronta a Davi e ao Deus de Davi. Seguindo os conselhos do amigo de Davi, Husai, Absalão aceitou armar seu exército para a guerra contra seu pai, fazendo exatamente o que Davi queria (17:1 14), mas, sobretudo, era a justiça divina que estava em curso (18:28,31).

Husai mandou informar Davi sobre tudo (17 :15 -22). Nesse ínterim, Aitofel se sentiu preterido pelo rei e se enforcou (17 :23. Husai passou a influenciar sozinho a cabeça de Absalão, que de nada desconfiava.
Como nossas atitudes se voltam facilmente contra nós! Absalão armara o golpe, sem que seu pai soubesse; agora, estava provando de seu próprio veneno. A palavra de Deus nos alerta a esse respeito: Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará (Gl 6:7).
Com um servo de Davi, Aitofel, Absalão traíra seu pai; com um servo de Davi, Husai, Absalão era traído. É a lei espiritual da semeadura. Não há como escapar.

Sob a orientação de Husai, o exército de Absalão se encontrou com o exército de Davi, na floresta de Efraim. Pai contra filho, filho contra pai. Ao invés de amigos, inimigos. Davi e Absalão frente a frente. Só um sairia com vida: o pai ou o filho. O coração de pai tremeu e Davi fez um pedido a seus comandantes, Joabe, Abisai e Itai: "Tratai com brandura o jovem Absalão, por amor de mim" (II Sm 18 :5). “Joabe, Abisai e Itai ficaram espantados com essas palavras. Brandura?, pensaram eles. Depois do que Absalão fez a você? Mas permaneceram calados”.

A guerra começou no bosque: "Ali, foi o povo de Israel batido diante dos servos de Davi; e, naquele mesmo dia, houve ali grande derrota, com a perda de vinte mil homens" (II Sm 18 :7). No final da batalha, porém, algo inesperado aconteceu: "Alguns homens de Davi viram Absalão. Ele ia montado numa mula, e, ao passar por baixo de um grande carvalho, a sua cabeça ficou presa nos galhos. A mula continuou a correr, e Absalão ficou pendurado" (II Sm 18:9 – NTLH). A notícia chegou a Joabe, que, sem perder tempo, encontrou Absalão vivo. Decidido, enfiou-lhe três lanças no coração; então, dez soldados de Joabe cercaram Absalão e acabaram de matá-lo. Ali, pendurado numa grande árvore, morreu o jovem mais bonito da nação, o jovem que ousara usurpar o trono de seu pai (II Sm 18:14-15).

Ele quebrara o quinto mandamento; não viu seus dias serem prolongados. Davi estava sentado, quando soube da morte de seu filho (II Sm 18:24,32). Profundamente abalado, entrou numa sala e chorou em alta voz, andando de um lado para outro: "Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!" (II Sm 18:33). Aquela era uma guerra que ele preferiria ter perdido, como mostra o texto bíblico: "Então, a vitória se tornou, naquele mesmo dia, em luto para todo o povo; porque, naquele dia, o povo ouvira, dizer: O rei está de luto por causa de seu filho" (II Sm 19:2).

Davi se agitava; passava a mão no peito, na testa, na cabeça; prostrava-se, levantava-se, gemia numa espécie de tortura e remorso, enquanto sua mente pensava velozmente e lhe dizia que poderia ter feito algo, enquanto era tempo; mas agora nada mais poderia fazer, a não ser chorar e gritar: "Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão!"

II – LIÇÕES DA VIDA DE ABSALÃO

1. Estejamos certos: beleza não é tudo, nem é fundamental.

Absalão era um rapaz, como se diz na Bíblia, formoso de porte e de aparência, como José, como Moisés (II Sm 14 :25; Gn 39:6; At 7:20). O tipo de homem agradável aos olhos femininos (Gn 3:6). Hoje, vivemos uma espécie de ditadura do corpo: musculação, drenagem linfática, exercícios físicos, dietoterapia, endermoterapia, botox, massagem terapêutica, reiki, acupuntura, etc. É uma verdadeira guerra aos “pneuzinhos”, às celulites, às rugas. Não tenho nada contra a saúde ou a beleza, mas tudo contra o endeusamento do corpo. De que adianta o corpo ficar magro e esguio, mas a alma continuar obesa, pecaminosa e astuta? É isso também que Jesus nos ensina, quando diz: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mc 8:36). Beleza é fundamental, já dizia o poeta Vinícius de Morais. Beleza é importante, sim, mas não é tudo, nem fundamental. Aos olhos do Senhor, antes da beleza, vale a "retidão de coração" (Dt 12:25,28), "pois o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração" (I Sm 16:7).

2. Estejamos firmes: obedecer a Deus é tudo.

Absalão decorou os mandamentos; desde pequeno, a lei de Deus foi gravada em sua mente (Dt 6:1-9). Davi lhe ensinava: “Não terás outros deuses. Não matarás. Não adulterarás. Não cobiçarás. Lembra-te do dia de sábado. Honra teu pai e tua mãe”. Os mandamentos estavam vivos em sua mente jovem. Davi era seu herói, seu modelo de conduta. Mas, ao ver seu “herói” quebrar o 6º, o 7º e o 10º mandamento, Absalão se desestruturou e passou a agir destrutivamente. Revoltado e cheio de astúcia, quebrou o 5º, o 6º, o 7º e o 10º mandamento. Fique atento: o pecado de nossos irmãos não nos autoriza a fraquejarmos na fé, nem a desobedecermos a Deus! Na vida do crente, não existe competição sobre “quem peca mais”. O salvo em Cristo não pode “ir na onda”, “na tendência”, “na pressão dos amigos”. Nesta vida, o cristão vê e ouve muitas coisas; mas de tudo o que tem visto e ouvido, a suma é: "Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem" (Ec 12:13).

3. Estejamos seguros: diálogo na família é fundamental.

Absalão soube do gravíssimo pecado de seu pai, mas, através dos outros. Ele esperou, por dois anos, que seu pai punisse Amnom, mas não viu o irmão sequer ser repreendido. Com o coração cheio de ódio, fez justiça própria: matou Amnom. Exilado por três anos, jamais foi repreendido por seu ato assassino. Ele decidiu buscar o diálogo com seu pai, que o aceitou de volta, mas lhe virou a cara, por dois anos. Irritado, mandou dizer ao pai: "Agora, pois, quero ver a face do rei; se há em mim alguma culpa, que me mate" (II Sm 14 :32). Em outras palavras, Absalão estava dizendo: “Vamos conversar sobre nossos problemas, pai!” Mas Davi apenas o beijou (15 :33). Que pena! O filho encheu-se de amargura e ódio, e passou a agir com astúcia, dissimulação, até usurpar o trono do pai e morrer. Você que é pai, que é mãe, esteja atento: diálogo em casa é fundamental! Se errou, chame os filhos, converse com eles e diga: “O pai pecou, fez besteira; me perdoem, me ajudem a superar minha fraqueza”. Eles vão entender e apoiar. Que pais e filhos se inspirem em Ef 6:1-4 e conversem bastante.

CONCLUSÃO

Muita gente pensa que é vantagem fazer parte de uma família real, morar num palácio, ter empregados à disposição, viver confortavelmente. Nem sempre é tão bom. Absalão tinha tudo isso, mas teve de lidar com o pecado de seu pai, morar numa casa com várias mulheres de seu pai, com vários meios-irmãos. Ele teve de lidar com um irmão estuprador e uma irmã estuprada e um pai ausente.

Pense nisso. Nada disso, porém, justifica suas atitudes violentas e traiçoeiras. Ele não poderia ter usado o seu livre arbítrio para cometer impiedade (Gl 5:13). Quantas pessoas passaram por situações piores (José, Moisés, por exemplo), e não agiram pecaminosamente!

Que fique a lição: Quando tivermos de enfrentar pecados graves em nossa casa, tenhamos atitudes sensatas, honestas, transparentes e verdadeiras, como nos diz a palavra de Deus:
"Nós rejeitamos tudo o que é feito escondido e tudo o que é vergonhoso. Não agimos de má fé, nem falsificamos a mensagem de Deus. Pelo contrário, agimos sempre abertamente, de acordo com a verdade, e assim as pessoas têm uma boa impressão de nós, que vivemos na presença de Deus". (II Co 4:2)

***

Fonte: Texto de autoria do pastor José Lima de Farias Filho | Compartilhado no PCamaral para ilustrar a série "Homens de Mulheres da Bíblia - O exemplo dado por eles"
Extraído do Site: blogdopcamaral.blogspot.com.br

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TERA, O PAI DE ABRÃO

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“VIVEU NAOR VINTE E NOVE ANOS E GEROU A TERA.” ( Gênesis 11.24).
Terá era um descendente de Sem, filho de Noé. Sem fora abençoado pelo seu pai por não ter agido como agiu seu irmão Cam quando viu a nudez de Noé.

Tera era, portanto, geração de um homem abençoado por Deus e pelo pai. Quando ele estava com setenta anos gerou a Abrão, cujo nome significa: “pai das alturas”.

Segundo as escrituras, “TOMOU TERA A ABRÃO SEU FILHO, E ALÓ, FILHO DE HARÃ... PARA IR Á TERRA DE CANAÃ, FORAM ATÉ HARÃ, ONDE FICARAM.” ( Gênesis 11.31).

O propósito de Tera era ir com a sua família para a terra de Canaã, contudo não era esse o propósito de Deus! E como está escrito:
“PORQUE OS MEUS PENSAMENTOS NÃO SÃO OS VOSSOS PENSAMENTOS, NEM OS VOSSOS CAMINHOS, OS MEUS CAMINHOS, DIZ O SENHOR,” ( Isaias 55.8).
O pensamento de Tera era de que com sua família iriam andando até chegar á Canaã. Quantos pensamentos devem ter passado pela mente daquele patriarca a respeito do futuro da sua família, e com certeza estava ele incluído nos planos.

Mas estes não eram os caminhos de Deus!
O caminho de Deus para Abrão não passava pela companhia de seu pai até Canaã. Desta maneira, as escrituras registram que “HAVENDO TERA VIVIDO DUZENDOS E CINCO ANOS AO TODO, MORREU EM HARÃ.” (Gênesis 11.32).

Morreu Tera. O patriarca experiente deixara o mundo dos viventes. A família lamenta a perda daquele ente querido, mas ninguém sabe exatamente o que dali para frente iria acontecer.
Deus, todavia, tinha escolhido Abrão para um propósito específico nesta terra e neste projeto Tera não estava incluído. Era necessário que o patriarca morresse para que a vida de Abrão com Deus iniciasse.

Enquanto Tera viveu não há menção de Deus falando com Abrão. Após a morte do pai, agora Deus fala com aquele homem.

“ORA, DISSE O SENHOR A ABRÃO. SAI DA TUA TERRA, DA TUA PARENTELA E DA CASA DE TEU PAI E VAI PARA A TERRA QUE TE MOSTRAREI.” (Gênesis 12.1). E lhe faz promessas.

Quantas vezes pensamos que nossos trajetos na caminhada para a cidade celestial estão incluídos os nossos familiares; quantas vezes pensamos que na chamada de Deus para cada um de nós está incluído alguém da nossa família que tem influência, ou exerce um tipo de liderança.
Meus amados, como nos enganamos!

A vida de Abrão com Deus não poderia desabrochar enquanto Tera vivesse. Não sabemos que tipo de influência tinha aquele pai sobre a vida daquele filho, mas o certo é que somente depois que ele se foi é que Deus falou com Abrão.

Enquanto escrevo estas linhas tenho em mente que alguém que lerá esta postagem está lutando para entender o propósito de Deus para sua vida, porém, há alguém que precisa ser retirado do circuito antes que Deus revele o projeto que está pronto para a sua vida. E escrevo mais ainda: não insista com Deus para segurar essa pessoa na terra; deixe que Ele cumpra o que está determinado no tempo certo e na hora precisa.

Isto não significa dizer que será literalmente um pai biológico, mas com toda certeza é alguma pessoa influente, experiente, com liderança sobre sua vida de alguma maneira ( pode ser até a esposa, ou filho, quem sabe?).

Tudo quanto Deus tinha planejado para Abrão excluía Tera. Somente sem o pai ele poderia deixar tudo para trás e seguir em obediência ao mandado do Senhor. Agora, como líder do seu clã, Abrão edifica o seu primeiro altar em Siquem.

Cada um de nós precisa ter sua experiência pessoal com Deus para que possamos ouvir a Sua voz e conhecer a Sua vontade a nosso respeito.

Não podemos ser dirigidos pela experiência de outra pessoa. Os dias estão extremamente difíceis na terra; o espírito de engano está agindo de modo terrível nas mentes dos crentes. Muitas vezes somos persuadidos a fazer isto ou aquilo por influência de alguém que se apresenta como espiritual, entretanto aquele não era o caminho que Deus havia planejado para nós. Assim, saímos da rota e pagamos a fatura por conta da desobediência.

Não é tempo para ser direcionado por homens sem que antes tenhamos a informação direta do Amigo Espírito Santo acerca do assunto. Muito cuidado para não cairmos na cilada do profeta velho como caiu o homem de Deus ( 1 Reis 13).


E ainda me lembra o Amigo que nem toda pessoa que vem para nós dizendo que tem uma palavra de Deus é sincera, senão vejamos:
“EUDE ENTROU NUMA SALA DE VERÃO, QUE O REI TINHA SÓ PARA SI, ONDE ESTAVA ASSENTADO, E DISSE: TENHO A DIZER-TE UMA PALAVRA DE DEUS... ENTÃO EUDE, ETENDENDO A MÃO ESQUERDA, PUXOU O SEU PUNHAL DO LADO DIREITO E LHO CRAVOU NO VENTRE.” ( Juízes 3.20.21).

Tenhamos cuidado, pois pode acontecer que alguém nos procure dizendo ter uma mensagem de Deus para nós com a intenção de tirar a nossa vida espiritual. Guarde-nos o Senhor!

Portanto, meus amados e queridos irmãos, sejamos sensíveis à voz do Amigo Espírito Santo e não impeçamos o agir de Deus a nosso respeito, ainda que seja retirando de perto de nós alguém a quem amamos, para que o Seu propósito seja cumprido.

O fato de Abrão ter ficado sem o pai não significa dizer que ele foi desamparado, absolutamente. A partir daí ele pode direcionar a sua confiança para o Deus que passou a conhecer.

Seja Deus gracioso para conosco e cumpra em nós todo o Seu desígnio!
Maranata!

Fonte: http://amigadoamigo.blogspot.com.br

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Ezequias: revertendo situações

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2Reis 18: 29-30.
Houve um rei em Israel chamado Ezequias, cujo nome significa “Jeová Fortalece”e, de fato, era o Senhor quem fortalecia Ezequias. Sua confiança e dependência do Senhor ficaram na história dos grandes reis de Israel. Ezequias era um homem de muita fé, que guardava os mandamentos da lei Mosaica e exortava seu povo a se desviar do pecado e seguir o Senhor, servir o Senhor de todo coração.

Ezequias, rei de Judá, contemporâneo do profeta Isaías, teve de enfrentar uma situação muito difícil: a invasão de seu reino pelo rei da Assíria. Foi afrontado, ridicularizado, descaracterizado em sua autoridade, quando o emissário do rei Senaqueribe, de uma forma humilhante, motivou o povo a desacreditar no seu Deus e em seu governante. Isso nos leva a lembrar que, de certa forma, todos passamos por situações difíceis em nossa vida.
 
 O que você tem feito diante do perigo? Qual sua reação ao constatar o crescimento dos problemas? Como se sente quando rumores do inferno conspiram contra sua paz e sugerem que você não tem mais nenhuma chance? 

Foi justamente o que aconteceu com Rei Ezequias, quando foi afrontado por Senaqueribe, rei da Assíria. Vejamos como reagiu esse homem de Deus que governava Judá, o reino do Sul, e como venceu as afrontas de Senaqueribe, Rei da Assíria. 

Ezequias viveu uma situação inexplicável 
Vez por outra temos de administrar situações controversas e inesperadas. Foi o que aconteceu com o rei Ezequias. O poderoso rei da Assíria, que já havia destruído todas as nações vizinhas, de um momento para outro, resolve conquistar Jerusalém, 2Reis 18: 3. 

Como em uma guerra de propagandas, visando enfraquecer o moral dos exércitos de Judá, envia mensageiros para estimular o povo a não confiar no seu rei.

Usou o rei da Assíria da tática de mostrar aos moradores de Jerusalém que a confiança de outros povos em seus deuses não redundara em nada e não evitara a destruição. Portanto, que não confiassem em seu Deus, pois o exército da Assíria era imbatível, 2Rs 18: 33. 

Vez ou outra, certas situações em nossa vida se tornam inexplicáveis e, mesmo sem sabermos como, temos de enfrentar inimigos poderosos, que vêm com táticas de enfraquecimento contra nossa fé, tentando minar nossas reservas de confiança em Deus, procurando nos passar a ideia de que tudo está perdido. Quero antecipar, enquanto meditamos neste episódio, que a verdade é que, aos que confiam no Senhor, não haverá derrota. Lembra-se de Golias dos filisteus e de Davi do Senhor dos Exércitos? 

Ezequias viveu uma afronta humilhante 
Ezequias foi vítima de insultos e de grandes ameaças. Na perspectiva do emissário do rei da Assíria, a Ezequias não adiantava confiar em Deus, pois Ele não daria livramento. Os deuses de outros povos não os livraram e não seria o Deus de Ezequias que o livraria diante de seu poderoso e cruel exército. 

Geralmente nestas situações controversas, deixamos que argumentos racionais, tais como o medo e a perplexidade, passem a trabalhar a favor do inimigo, limitando-nos e levando-nos a perder a certeza e a confiança de que maior é o que está conosco e não aquele que faz as ameaças.

Infelizmente, por muitas, vezes o inimigo tem-nos ameaçado e nos feito tremer, apenas com suas táticas de propagandas enganosas, baixando nosso moral e nossa confiança em Deus. Entendo que, a despeito das afrontas, não devemos oferecer ao inimigo a oportunidade de nos fazer perplexos e mesmo derrotados por apenas ameaças. 

Devemos sim demonstrar nosso valor, enfrentando com coragem e fé naquele que nos fortalece, que é poderoso para operar um grande livramento, e pode desfazer as táticas do inimigo. 

Ezequias viveu a experiência de um ultimato que foi revertido 

Você está perdido, não há ninguém que possa fazer nada por você. Este era o vaticínio do rei da Assíria em relação ao rei Ezequias.  

Ezequias não se atemorizou. Ameaças e táticas de intimidação não foram suficientes para deter aquele homem que confiava plenamente em seu Deus e tinha créditos espirituais, acumulados e que poderiam ser reivindicados junto ao trono do Todo-poderoso, 2Rs 19: 1. 

Ezequias não cria como Senaqueribe pensava. Ele cria em um Deus poderoso que está acima das afrontas as quais, por mais contundentes que possam parecer, por mais irreversíveis que possam mostrar-se, não são capazes de derrotar o homem que confia plenamente no Senhor, 2Rs 19: 15-19. 

Ezequias não era um rei qualquer, seu povo não era um povo qualquer, que servia um Deus qualquer, Dn 4: 3. 

Conclusão 
Duas forças se confrontaram e o resultado nós já sabemos: Deus reverteu aquela situação em favor de Ezequias. Da mesma forma, em nossas vidas, esse mesmo Deus que já se tem mostrado poderoso em tantas situações pode operar grandes livramentos. Portanto, não se desanime e não se deixe levar pelas ofensas e artimanhas do mal e nem por ameaças de quem possa se mostrar poderoso como Senaqueribe. 

Procure, como fez o rei Ezequias, construir, diariamente, perante Deus, uma vida de compromisso e retidão e, quando surgirem momentos de lutas, como esse, você terá crédito para reivindicar a vitória. E quaisquer situações, por mais inexplicáveis ou inesperadas que possam ser, certamente também serão revertidas.

Autor: José Maurício Pereira
Fonte: http://cristotube.com.br/

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