Marta e Maria: duas irmãs, duas atitudes

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Introdução
Betânia era uma cidadezinha, ou melhor, um povoado, bem perto de Jerusalém. O Senhor ia sempre lá porque havia uma casa aberta para Ele. Ali Jesus passou os últimos momentos de tranquilidade e paz de Sua vida, ao lado de Seus grandes amigos: Marta, Maria e Lázaro.
São lindos os quadros inspirados por essa família, registrados nas páginas da Bíblia.

I. A visita de Jesus (Lc 10.38-42)
O primeiro quadro nos mostra Jesus chegando a Betânia, e Marta trazendo-O para hospedar-Se em sua casa. Ela apreciava muito o Mestre. Era hospitaleira e considerava uma honra receber o Senhor como hóspede.
Essa foi uma atitude correta de Marta. O escritor da carta aos hebreus recomenda que sejamos hospitaleiros, pois alguns, fazendo isso, hospedaram anjos. Marta hospedou o Filho de Deus, o Salvador! Hoje, Jesus bate à porta do nosso coração e diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3.20).

1. A escolha de Marta
Marta fez tudo para oferecer uma boa acolhida ao seu hóspede. Era uma visita muito importante e merecia o melhor. Assim, ela se esmerou para apresentar-lhe uma calorosa recepção. Enquanto realizava um serviço, pensa­va em mais outro … mais outro … e foi ficando desanimada, inquieta, irritada, e começou a murmurar. O seu trabalho de amor estava se tornando uma tarefa pesada demais!
 

Aplicação
Esse é um alerta para nós. Não podemos deixar que isso aconteça conosco. Pre­cisamos recusar o desânimo. Tudo que fazemos para o Senhor deve ser contado como alegria.

2. A escolha de Maria
Enquanto Marta se fatigava na la­buta caseira, Maria, sua irmã, assentada aos pés de Jesus, totalmente absorta, ouvia os Seus ensinos. Bebia cada uma de Suas palavras. Ela sabia que o serviço era coisa secundária. Ela não podia perder a oportunidade de prestar adoração ao Mestre e receber Dele os ensinamentos.

3. A perda de Marta
Marta não podia saborear os ensinos de Jesus, pois estava muito preocupada com pormenores e coisas secundárias. Ela começou a se consi­derar vítima, e passou a acusar a irmã diante do hóspede amado. Sua irritação era tão grande que ela incluiu Jesus na acusação: “Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha?” E foi além, atrevendo-se a dar ordens ao Mestre: “Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me” (Lc 10.40).
Então, a voz do Mestre se fez ou­vir: “Marta! Marta! andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário, ou mesmo uma só cousa” (Lc 10.41-42).
Essas poucas palavras continham sérias advertências:

a. Marta estava misturando o prio­ritário com o secundário;
b. Marta estava perdendo tempo com coisas de pouca impor­tância;
c. Marta não compreendia que Cristo veio para servir e não para ser servido;
d. Marta não percebia que Jesus ti­nha mais interesse na sua pessoa do que no seu serviço.

Essas advertências são dirigidas a nós, hoje.

Há mais uma coisa que devemos notar: precisamos evitar a murmura­ção. Ela não agrada ao Senhor. Ela não edifica.
 

4. O lucro de Maria
“Maria, pois, escolheu a boa parte e esta não lhe será tirada” (Lc 10.42). Maria escolheu estar aos pés de Jesus, numa atitude de adoração e como discí­pula. Ela não precisava ser repreendida, mas sim elogiada, pois havia feito a melhor escolha.

Aplicação
O tempo que passamos com Jesus é sempre muito bem empregado. Preci­samos organizar a vida de tal forma aprender de Cristo seja o mais importante para nós.

II. A morte de Lázaro (Jo 11.1-45)
1. A tragédia da morte
O segundo quadro é anunciado por espessas mágoas. A morte roubou do lar feliz o irmão querido. Parecia injustiça da parte de Deus! Marta, Ma­ria e Lázaro eram amigos íntimos de Jesus. O seu lar era Dele. Então, apesar do quanto tinham feito, a tragédia os alcançou. Parecia indiferença da parte de Jesus! Maria e Marta mandaram chamá-Lo. Esperaram que Ele viesse para curar Lázaro. Ele não veio a tempo, e Lázaro morreu.

Aplicação
Pode acontecer isso na nossa vida, também. Sofremos, nos desesperamos, oramos, clamamos… e o pior acontece. Ter amor por Jesus não nos imuniza contra tristezas e provas da vida, contudo nos garante forças e conforto para sairmos vencedores dessas experiências. Jamais podemos permitir que elas nos vençam.

2. A vitória sobre a morte
Quando Jesus chegou a Betânia, Lázaro já tinha sido sepultado. Nesse incidente vemos a diferença de tempe­ramento entre as duas irmãs – Marta, extrovertida e ativa, não pôde esperar e saiu correndo ao encontro do Senhor, enquanto Maria, mais introvertida e calma, ficou em casa, sentada. Marta desafiou a amizade do Mestre: “Se o Senhor estivesse aqui meu irmão não teria morrido!” (v.21). Marta tirou de Jesus a mais conformadora declaração sobre a Sua Pessoa: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (v.25). Mas no versículo 29 lemos que quando Marta disse a Maria: “O Mestre chegou e te chama” (v.28), Maria “levantou-se depressa”. É interessante notar que ela disse a Jesus exatamente as mesmas palavras que Marta tinha dito (v.32), mas a reação de Jesus foi diferente. Com Marta, Jesus manteve um diálogo teológico, mas Maria recebeu do Senhor o mais belo gesto de solidariedade: “Jesus chorou” (v.35). É tão bom saber que Jesus nos conhece pessoalmente e trata Seus filhos individualmente! Ambas presenciaram a glória de Deus e receberam o irmão de volta: vivo e saudável!

Com esse fato, Marta adquiriu:

a. uma nova compreensão de fé (v.22);
b. uma nova compreensão da ver­dade (v.25-26);
c. uma nova compreensão do Se­nhor (v.27).
Maria compreendeu melhor o significado da morte (Jo 12.3) e do sepultamento de Jesus (Jo 12.7). Muitos judeus que tinham ido visitar Maria viram o que Jesus fez, creram Nele, e o Filho de Deus foi glorificado. Todos foram bene­ficiados por meio dessa experiência dolorosa.

Aplicação
Precisamos achar um propósito nas ex­periências difíceis pelas quais passamos, e, mesmo sem achá-lo, devemos confiar no Senhor. Não podemos tirar conclusões precipitadas a respeito dos acontecimen­tos. No fim, tudo concorre para o bem, conforme Romanos 8.28.

III. Uma refeição de amor (Jo 12.1-8)
1. Uma manifestação de amor
O terceiro quadro se deu num banquete em Betânia, seis dias antes da paixão de Cristo. Foi uma ocasião muito especial. Lázaro, que tinha sido ressuscitado, estava à mesa com o Mestre. Marta, como sempre, servin­do. As qualidades de hospitalidade e de prontidão em servir continuam em evidência em sua vida. Maria, pela terceira vez, se encontra aos pés de Jesus. Ela quebrou todas as etiquetas e presta uma homenagem ao Senhor: derrama um precioso perfume nos Seus pés e os enxuga com os cabelos. Foi a manifestação da sua alma, efeito de uma profunda afeição.

2. Uma manifestação de crítica
“Que extravagância! Que desperdí­cio!” disse Judas. E os demais discípulos concordaram (Mt 26.8).
Talvez nós tivéssemos, também, criticado Maria, se ali estivéssemos. Não é assim que fazemos? Criticamos a igreja, criticamos o pastor, criticamos os oficiais, criticamos os velhos, os mo­ços, as crianças … A oferta que a mulher ofereceu a Jesus, inspirada pelo amor, mal interpretada pelos homens, foi bem recebida pelo Senhor e recompensada pela história. Maria se imortalizou e, por isso, estamos a falar dela, hoje (Mt 26.13). O seu desejo era mostrar amor e simpatia ao Senhor. Ele compre­endeu, aceitou e recompensou o gesto condescendente.

Aplicação
Temos feito alguma coisa extraordinária para o Senhor, que realmente prove o nosso amor a Ele? Não por dever, mas por amor? Somos, hoje, gra­tos a Maria por essa lição de desprendimento?

Conclusão
Marta procurou agradar ao Senhor por meio dos seus próprios esforços. Maria ofereceu-Lhe o melhor que tinha. Isto nos faz lembrar de Caim e Abel. Martapossuíapersonalidadeativa e extrovertida. O seu amor pelo Senhor revelava-se em serviço. Ela era uma mulher que agia rapidamente. Maria era introvertida e calma por natureza. Das três vezes que seu nome é citado na Bíblia, encontramo-la aos pés de Jesus. E Jesus amava tanto uma como a outra! (Jo 11.5)

 Aplicação
Ao examinarmos o contraste entre Marta e Maria, devemos avaliar as nossas pró­prias relações com o Senhor. Temos mais de Marta ou temos mais de Maria?

Aplicações para a minha vida
1. Se Jesus disse que devo ser um bom samaritano e ajudar aos ou­tros, por que não mandou Maria ajudar sua irmã? (Lc 10.41-42)

2. Em que aspectos Marta é um exemplo ou uma advertência para mim?

3. Ajudar os outros não substitui o tempo que devo passar com Jesus, alimentando-me da Sua Palavra.

4. Quando o serviço cristão é rea­lizado só com as minhas forças, será que os resultados são: can­saço, desânimo, frustrações, mal­-entendidos, lamúrias?

5. Para nós, crentes, a morte é um breve dormir em paz. Assim como Lázaro, eu, também, ouvirei a voz doSenhor. Posso gritar“Aleluia!”?

Autora da lição: Profa. Odila Braga de Oliveira

>> Estudo publicado originalmente pela Editora Cristã Evangélica, na revista “Gente Que Fez”, da série Biografias 
Fonte: www.ultimato.com.br
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ELI, UM LÍDER REPROVADO POR DEUS

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Deveríamos estar dispostos a verificar constantemente a temperatura espiritual das pessoas pelas quais somos responsáveis, em especial pelos nossos filhos.” (J. Otis Ledbetter)

Texto Básico: 1Samuel 1 a 4

Lemos em 1Timóteo 5.8: “Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos da sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente”. Muitos são os textos bíblicos que nos alertam para o cuidado que devemos dispensar aos da nossa família. Para os líderes espirituais, o cuidado e a espiritualidade no lar fazem parte de um bom perfil para o exercício do ministério (1Tm 3; Tt 1).

E exemplo de Eli nos leva a pensar sobre a responsabilidade espiritual que os pais devem exercer sobre os filhos. Em nossos dias muitos pais cristãos estão negligenciando ou delegando a terceiros a formação religiosa dos filhos. Cristãos dedicados e bem intencionados no exercício ministerial, mas que estão correndo o risco de serem reprovados por Deus quanto à responsabilidade dentro de casa. Olham apenas para os de fora!
   Augustus Nicodemus Lopes fez a seguinte declaração: [1]“Nada é mais importante para a formação de famílias e igrejas fortes que a criação adequada dos filhos. Como é importante que saibamos criar os filhos na disciplina e admoestação do Senhor!”

QUEM FOI ELI

Eli (Deus é exaltado) foi sumo sacerdote em Siló e o 14° juiz sobre Israel. [2]“Eli teria sido o primeiro sumo sacerdote da linhagem de Itamar, o filho mais novo de Arão”.  Viveu por volta de 1.100 a.C. Nada sabemos sobre sua esposa. Eli tinha dois filhos, Hofni e Finéias (2.34). Eles eram ímpios, adúlteros, desobedientes e irresponsáveis. Eli não conseguiu impedir que seus filhos blasfemassem contra o Senhor. Eles tornaram-se culpados de imoralidade e sacrilégio. Eli foi o grande mentor do profeta Samuel (2.11), que ainda menino foi chamado por Deus para proferir a condenação da casa de Eli, que seria retirado do oficio sumo sacerdotal (3.11-14). Aos noventa e oito anos de idade, cego e pesado, foi informado por um benjamita da morte de seus filhos e que a arca de Deus havia sido tomada pelos filisteus. Eli caiu da cadeira para trás, quebrou o pescoço e morreu (4.18). Ele Julgou Israel por quarenta anos (1115-1075).

Quem não se preocupa em identificar os erros registrados na história corre o risco de repeti-los. A escola bíblica dominical é um espaço aberto à disciplina formativa para todas as áreas da vida. Na lição de hoje vamos à busca de algumas lições baseadas na vida familiar de Eli:

1. UMA FAMÍLIA NÃO AGRADA A DEUS APENAS PELA TRADIÇÃO

Os filhos de Eli cresceram em meio às atividades do santuário do Senhor. Conheciam cada detalhe e sabiam que no futuro estariam assumindo as funções do pai. Só que o mais importante eles desconheciam, o caráter de Deus e suas exigências. Eles eram ímpios e por isso foram reprovados.
“Filho de peixe, peixinho é. Mas filho de crente, crentinho não é”! Essa é uma afirmação “engraçadinha” e real. Deus não aprova uma pessoa por sua tradição familiar. [3]“Aquele que pecar, esse morrerá; o filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo estará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele”.
   Eli falhou ao achar que as coisas se ajeitariam automaticamente. Não podemos dizer que ele foi totalmente negligente, mas certamente cometeu o erro de não comunicar aos seus filhos as verdades espirituais que conhecia. Mesmo que seus filhos se encaixassem no perfil dos filhos que não ouvem os conselhos dos pais, não podemos isentá-lo totalmente de culpa.
   Devemos lembrar que a tradição foi um dos empecilhos do jovem rico que virou as costas para Jesus. Ele achava que sabia tudo, mas desconhecia o principal, e por isso não teve forças para seguir o nosso Mestre (Lucas 18). Mais do que o ambiente eclesiástico, nossos filhos precisam conhecer o Senhor da igreja e seus princípios revelados na Bíblia Sagrada.

2. É PRECISO INVESTIR TEMPO NA FORMAÇÃO ESPIRITUAL DOS FILHOS

A tarefa mais importante que os pais que já tiveram um encontro genuíno com Deus têm nesta vida é guiar seus filhos até Deus. É muito mais importante do que educá-los para o mundo. Veja o exemplo de Jó (Cap.1). A Bíblia recomenda aos pais a, antes de tudo, [4]criar os filhos na disciplina e instrução do Senhor”. E para isso devem os pais investir tempo nesta indispensável tarefa. Em Deuteronômio 6.7 encontramos um importante ensino sobre quando os filhos devem ser ensinados:
·         Sentado em casa;
·         Andando pelo caminho;
·         Ao deitar-te e ao levantar-te.
   Infelizmente não faltam ladrões do tempo dos pais e dos filhos em nossos dias.
   A educação secular e o ensino religioso devem caminhar de mãos dadas. Caso os pais cristãos não compartilhem as verdades acerca de Deus com os filhos, eles serão presas fáceis para as filosofias que hoje têm ocupado as mentes dominantes na mídia, nas escolas e nas universidades. Quase todos os pais cristãos conhecem Provérbios 22.6, mas poucos procuram viver o que diz esse texto. [5]Augustus Nicodemos Lopes afirmou que “o maior legado que os pais podem deixar aos filhos é o conhecimento e o temor de Deus”.
   No livro Sua Herança, [6]J. Otis Ledbetter afirma que “um bom legado espiritual nos dá um fundamento para compreendermos e respondermos à obra de Deus em nossa vida. Ao contrário, um mal legado espiritual limitará a nossa habilidade de reagirmos a esse aspecto vital da existência”. Temos a seguir uma lista, que obviamente não é completa, com alguns dos principais indicadores de legado na dimensão espiritual.

Um forte legado espiritual...
·         Reconhece e reforça as atividades espirituais;
·         Considera Deus como um ser pessoal e amoroso, que deve ser amado e respeitado;
·         Transforma as atividades espirituais rotineiras em um aspecto da vida (frequentar a igreja, orar, ler a Escritura, etc.);
·         Fala sobre questões espirituais como sendo meios de reforçar os compromissos espirituais;
·         Esclarece verdades eternas, discernindo o certo do errado;
·         Incorpora os princípios espirituais no viver cotidiano.

Um fraco legado espiritual...
·         Arruína ou ignora as realidades espirituais;
·         Representa Deus como um ser impessoal, que deve ser ignorado ou temido;
·         Nunca ou raramente participa das atividades espirituais;
·         Tem poucas discussões espirituais de natureza construtiva;
·         Confunde os absolutos e sustenta o relativismo;
·         Separa os princípios espirituais dos práticos.

3. ELI SE ACOMODOU A UMA VIDA DUPLA

   Eli se acostumou a uma tragédia muito comum em nossos dias. Fora de casa um homem bem-sucedido. Dentro de casa um pai rejeitado, omisso e incapaz de colocar as coisas no seu devido lugar. Suas técnicas funcionaram com Samuel, mas não funcionaram com os da sua própria casa. Os de fora o ouviam, já os de casa... O que será que aconteceu? Por quê? Jamais saberemos!
   Não podemos nos acostumar a viver uma vida fora e outra dentro da igreja. Precisamos ser íntegros, mostrando transparência em nossos relacionamentos. Os pais ensinam mais com o exemplo do que com as palavras. Um filho valoriza mais o que vê do que o que ouve.
   Quando as coisas não vão bem, não podemos fingir que estão bem. Talvez seja hora de pedir ajuda. Mas infelizmente em algumas famílias cristãs são comuns os comentários depreciativos sobre a igreja e sua liderança. [7]“Preserve a imagem da igreja e de seus oficiais junto aos seus filhos. Um dia você poderá precisar deles para ajudá-lo com seus filhos”.


PARA PENSAR E AGIR

   Eli perdeu o que ele tinha de mais importante: a aprovação de Deus e sua família. Vimos em nosso estudo de hoje que uma vida que tinha tudo para dar certo terminou de forma trágica.
   Aquilo que fazemos dentro de nosso lar está diretamente ligado à forma como Deus e as pessoas nos olharão. Uma pessoa que falha com os da sua própria família, deixando de honrar a quem merece honra, pouco conseguirá do lado de fora. Uma pessoa que não se preocupa com a qualidade espiritual dos que estão dentro de sua própria casa terá a sua credibilidade na igreja abalada.
Se Deus cobrará de nós as almas que estão distantes, quanto mais as que estão dentro de nossas casas.

PERGUNTAS PARA DISCUSSÃO EM CLASSE

1. Como os pais cristãos estão tratando a espiritualidade dos filhos em nossos dias?

2. É comum encontrarmos pessoas como Eli, que tinha um importante cargo na igreja e uma família destruída pelo pecado e pela falta de respeito?


[1] Lopes. Augustus Nicodemus. A Bíblia e sua família. Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2007. 
[2]Champlin, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Candeia. São Paulo, 1991.
[3] Ez 18.20.
[4] Ef 6.4.
[5] Lopes. Augustus Nicodemus. A Bíblia e sua família. Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2007. 
6Ledbetter, J. Otis. Sua herança. Textus. Rio de Janeiro; 2002.

[7] Coelho Filho, Isaltino Gomes. Família – vale a pena acreditar. Editora Sabre. Rio de Janeiro. 2012.  


Fonte: www.batistafluminense.org.br
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José, o carpinteiro

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1 – Introdução
Com esta designação de “José o carpinteiro”, referimo-nos a José, marido de Maria, a mãe de Jesus Cristo.
Parece à primeira vista, que temos muita informação sobre este personagem. Ele aparece logo no início dos evangelhos de Mateus e de Lucas, na descrição do nascimento de Jesus com uma completa genealogia.
Mas, depois desta imponente introdução, fica-se com uma certa desilusão, porque além destas passagens relacionadas com o nascimento de Jesus, José só volta a aparecer uma segunda vez quando Jesus tinha doze anos de idade e nunca mais é mencionado, pelo menos nos textos canónicos da Bíblia.
A maior parte das informações encontra-se nos textos apócrifos, mas parecem-me pouco credíveis e fruto da piedade dos seus autores.
Entre os textos apócrifos, a “História de José Carpinteiro” é o principal “livro” que pretende colmatar esta falta de informação, mas mencionamos este texto só a título informativo, pois no nosso estudo sobre José só nos iremos basear nos evangelhos canónicos e no que pode ser comprovado pela arqueologia e pela geografia da Palestina que certamente não mudou.

2 – Origens de José
Se acreditarmos nos textos de Mateus 1:1/17, onde temos a genealogia desde Abraão até José e em Lucas 3:23/38, onde temos a mesma genealogia, mas em sentido contrário, desde José até Adão, podemos afirmar que é bem conhecida a origem de José. Mas, parece-me difícil acreditar a 100% nas duas genealogias quando há algumas diferenças na parte em que seria de esperar uma perfeita sobreposição de informação. Julgo no entanto, que duma maneira geral, as duas informações, de Mateus e de Lucas, são praticamente coincidentes. 
Também Lucas 2:4, confirma que José era da tribo de Judá, a mesma do Rei David, pois teve de ir da Nazaré na Galileia a Belém na Judeia, cidade dos seus antepassados, para o recenseamento ordenado pelas autoridades romanas.

3 – Porque emigrou José para a Galileia
Se José era da tribo de Judá, porque emigrou da Judeia, terra dos seus antepassados, onde poderia ter terrenos, para a Galileia, território de outra tribo, onde ele não poderia possuir propriedades?
Penso que a resposta está na sua profissão. Um carpinteiro necessita de madeira para trabalhar. Nos nossos dias, basta ir a algum fornecedor de material e comprar a madeira ou telefonar a uma serração que umas horas depois está na sua oficina um camião (caminhão) com o carregamento da madeira indicada, já serrada em tábuas, seca na estufa e pronta a ser trabalhada. Mas José viveu numa época bem diferente. Ele tinha de montar a sua oficina não muito longe duma floresta onde houvesse árvores que pudessem fornecer boa madeira.
Penso que as características geológicas e climatéricas dos nossos dias, serão as mesmas da época de José, bem como a vegetação de crescimento espontâneo.
Na Judeia, terra dos seus antepassados, a precipitação média anual não vai além dos 100 milímetros por ano, enquanto na Galileia, esse valor é de 700 a 1000 milímetros por ano. Nazaré fica na baixa Galileia, região predominantemente agrícola, enquanto as árvores que poderiam fornecer matéria-prima para a pequena indústria de José, cresciam na alta Galileia e deve ter sido bem árduo o trabalho de levar os troncos para a sua oficina

4 – Profissão de José
De acordo com Mateus 13:55 e Marcos 6:3, podemos concluir que José era carpinteiro e como era natural nessa cultura, em que os filhos geralmente seguiam a profissão dos pais, José ensinou essa profissão a Jesus.
Mas o que é um carpinteiro?
Mesmo na nossa cultura, tanto é carpinteiro o que ainda trabalha manualmente, com o martelo, serrote, plainas etc, como a maioria nos nossos dias que utiliza ferramentas eléctricas, como ainda o que se senta em frente do computador, marca as dimensões da peça de madeira que pretende, e o computador comanda as máquinas que lhe preparam a peça desejada com precisão de milímetro, já aplainada e até envernizada se o equipamento for programado para isso.
Mas, temos também os vários tipos de carpinteiros dos nossos dias, desde o carpinteiro de cofragem da Construção Civil, ao carpinteiro especializado em móveis vulgarmente conhecido por marceneiro, até ao carpinteiro de Construção Naval, talvez o mais especializado dos carpinteiros.
Muito mais difícil é saber o que era, e o que fazia o carpinteiro na época em que José viveu. 
Julgo que esta informação da profissão de José, é a mais importante para este estudo.

5 - O que era o carpinteiro nessa época
5.1 – No aspecto social
Temos várias referências ao carpinteiro no Velho Testamento. Podemos ler em 2º Samuel 5:11, 2º Reis 12:11, 2º Reis 22:4/6.
Em todas estas referências o carpinteiro aparece em primeiro lugar na lista dos profissionais de Construção Civil e não há qualquer referência aos Arquitectos nem Engenheiros. Somente em II Reis que citamos, há essa referência “.. aos que têm o cargo da obra..” como está em Almeida e que alguns tradutores se precipitaram em traduzir por empreiteiros certamente sem o significado técnico que esta palavra tem nos nossos dias.
Isto significa simplesmente que nessa época as profissões não tinham equivalência às dos nossos dias. Ainda não tinham surgido as profissões de Arquitecto nem de Engenheiro de Construção Civil e quem exercia estas funções era o carpinteiro ou o pedreiro mais experiente e especializado.
Noutras referências bíblicas que encontramos, como 1º Crónicas 14:1, fala-se em pedreiros e carpinteiros, e em 1º Crónicas 22:15 encontramos canteiros, pedreiros e carpinteiros. Quando nos nossos dias se fala em canteiros e cantaria, só nos lembramos dos materiais de revestimento e rochas ornamentais, que também se usavam nessa cultura em que José viveu. Mas nessa época, havia ainda, uma outra grande responsabilidade do canteiro, pois era o profissional que escolhia e talhava a pedra, que nesse tipo de construção mantinha a solidez do edifício, numa época em que ainda não havia betão armado (concreto armado). Nos nossos dias, podemos ver em cada uma das pedras dos antigos edifícios históricos em Portugal, como o Mosteiro da Batalha ou o dos Jerónimos, a marca do responsável por cada uma dessas pedras, pois nalgumas zonas do edifício, nomeadamente nas abóbadas, se alguma dessas pedras não resistir ao esforço, pode colocar em risco todas as outras.
Penso podermos concluir que o carpinteiro, assim como o canteiro e o pedreiro, nessa cultura, era pessoa prestigiada e com nível económico e social acima da média.

5.2 – O que fazia o carpinteiro
Podemos ainda colocar a seguinte questão: Mas, se não há uma perfeita equivalência entre as profissões nessa cultura e nos nossos dias, então o que fazia o carpinteiro?
Penso que o carpinteiro dessa época engloba várias profissões dos nossos dias, pois nós vivemos numa cultura altamente especializada, em que cada profissão se desdobra em várias especializações. Agora, já ninguém fala nos sábios que antigamente pretendiam saber tudo. Há cerca de 50 anos havia os Engenheiros que pretendiam saber tudo de engenharia, o que é impensável nos nossos dias em que há engenheiros das mais diversas especializações.
Podemos imaginar o que seria o trabalho de José.
Primeiro, pegava no machado e procurava uma boa árvore, para obter a madeira para o seu trabalho, numa época em que ainda não havia os madeireiros dos nossos dias. Para isso, teria de trepar às montanhas, pois na maior parte do território de Israel só havia pequenos arbustos.
Este pormenor, como já dissemos, pode explicar porque é que José, sendo descendente de David, da tribo de Judá, foi viver na Nazaré, que ficava na Galileia, onde não podia possuir terrenos de acordo com a lei judaica, embora nessa época já estivessem dominados pelos romanos e não sabemos se essa velha lei que dividia o território pelas várias tribos, ainda seria cumprida a rigor. Mas penso que José terá sido bem recebido pelos nazarenos, não só por ser pessoa simpática e pacífica, como pela sua profissão, pois vinha implantar mais uma indústria e arranjar postos de trabalho na pacata cidade de Nazaré.  
Já vimos que o carpinteiro pegava no machado para derrubar a árvore. Mas, e depois, numa época em que não havia máquinas para transportar os troncos?
Certamente que os troncos das árvores seriam arrastados até à sua oficina na Nazaré, possivelmente com a ajuda de bois para esse trabalho. Mesmo admitindo que as árvores maiores cresciam no alto dos montes, sendo este trabalho de certa maneira facilitado pelo declive do terreno, certamente que essa seria uma fase bem difícil da sua profissão.
Podemos imaginar a casa de José com um grande quintal cheio de troncos de árvores.
Mas, continuamos com as nossas dúvidas. Que fazia ele com esses grandes e pesados troncos de árvore? Nessa época ainda não havia serrações com serras eléctricas, muito menos estufas para secar a madeira.
É principalmente neste pormenor que podemos obter uma “fotografia”, mesmo que desfocada de José.
Todos esses troncos de árvore, tinham de ser serrados manualmente para depois serem secos ao ar quente e seco da Nazaré.
Não sabemos bem como era o machado e a serra de José. Nessa época, cerca do ano zero da nossa era, o bronze já tinha sido substituído pelo novo metal, o ferro, que iria mudar o mundo, mas não podemos confundir o ferro fundido com o aço dos nossos dias. Era certamente uma pesada serra de ferro fundido, manobrada por dois homens, um em cada extremidade. Trabalho muito violento, para transformar os troncos em tábuas que pudessem ser utilizadas na sua carpintaria.
É impensável que José fosse o velhinho que andava agarrado ao seu cajado, como nos mostram muitas imagens, fruto da “devoção” dos crentes, com a intenção de “comprovar” a virgindade perpétua de Maria, pois esse respeitável velhinho dessas imagens, nunca poderia ser o verdadeiro José, o carpinteiro dessa época.
Pelo contrário, a profissão de carpinteiro leva-nos a imaginar um homem jovem ou de meia-idade, de grande estatura, músculos poderosos, mas também capacidade intelectual, pois ele era também o arquitecto e o engenheiro dos seus trabalhos.
Se Jesus era o Filho de Deus, também não o consigo imaginar um jovem pequeno e magro. Aliás Lucas 1:80 informa-nos que ..o menino crescia e se robustecia em espírito... dando a entender que foi um jovem à altura do seu pai adoptivo, pois se não fosse assim, não poderia ser também carpinteiro como José. Marcos 6:3

5.3 Que tipo de carpinteiro foi José?
A construção civil da época era geralmente de pedra. Segundo o investigador e historiador Joaquim Jeremias, havia em Jerusalém alguns edifícios com três pisos, que certamente necessitariam de vigamento de madeira para os pavimentos, mas na Nazaré, penso que todas ou quase todas as habitações teriam só um piso. Mesmo assim, só alguns ramos seriam suficientes para a cobertura das habitações mais humildes da Nazaré e isso não exigiria a intervenção dum carpinteiro como o relato bíblico nos apresenta. Nessa época, estava em construção a cidade de Séforis onde o Império Romano colocara a capital da Galileia e onde certamente haveria edifícios de habitação e edifícios públicos mais luxuosos onde as coberturas seriam com asnas de madeira e não os simples ramos das pobres habitações da Nazaré. Séforis ficava somente a seis quilómetros a noroeste da Nazaré e aí haveria certamente trabalho para os bons profissionais de carpintaria. É bem possível que José tivesse trabalhado nesses edifícios ajudado pelo jovem Jesus.  
Não é possível saber que tipo de carpinteiro era José, mas olhando para o mapa de Israel da época, e para a localização da Nazaré, pelo menos suspeito que fosse carpinteiro de Construção Naval.
Nós os portugueses, por influência da nossa Nazaré que é vila piscatória, somos tentados a imaginar a Nazaré bíblica ao pé do Mar da Galileia, o que não é verdade, pois estava a uma distância de 25 quilómetros. Isto parece à primeira vista afastar a possibilidade de José ser carpinteiro de construção naval.
Mas não podemos raciocinar com base na realidade dos nossos dias, em que todos os estaleiros se construção naval estão ao pé do mar.
Para um hábil carpinteiro como José, arrastar o barco por esses 25 quilómetros, talvez fosse mais fácil do que arrastar os pesados troncos necessários à sua construção. Aliás, sabemos que em Corinto já havia a técnica de levar barcos pelas estradas. Esses eram barcos de mercadorias e passageiros, que navegavam no Mediterrâneo, certamente muito maiores do que os barcos de pesca, do lago a que chamamos o Mar da Galileia.
Noto também uma forte ligação de Jesus aos homens do mar, nomeadamente os pescadores, que pode ser o indício do que terá sido a sua vida desde os 12 até aos 30 anos. Grande percentagem dos apóstolos eram pescadores, muitas das parábolas estavam relacionadas com o mar e a pesca, além de Jesus mostrar que estava perfeitamente identificado com o ambiente do Mar da Galileia, embora esse pormenor possa ser atribuído à sua natureza divina.
Admitindo que José foi carpinteiro de Construção Naval, uma das dificuldades do seu trabalho seriam os 25 quilómetros que separam Nazaré do Mar da Galileia, através dum caminho montanhoso. É verdade, que não se sabe por onde passava a tal estrada, ou simples caminho da Nazaré ao Mar da Galileia, pois não ficaram vestígios arqueológicos como no caso das vias romanas, mas qualquer engenheiro civil ou topógrafo ou outro profissional ligado a estradas, em face duma planta topográfica suficientemente ampliada, não teria dúvidas em “adivinhar” qual a provável localização dessa estrada ou caminho, pois nessa época não havia máquinas para grandes trabalhos de escavação ou terraplenagem, muito menos se podia pensar em túneis, e a conclusão seria sempre uma estrada de montanha com várias subidas e descidas. Também o relevo obrigaria a muitas curvas e os 25 quilómetros de distância em linha recta, por estrada seriam certamente muitos mais.

6. Como era José como homem
Encontramos em Mateus 1:19. José, seu esposo, sendo justo, e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo. Aqui refere-se à atitude de José quando soube que Maria estava grávida antes de se juntarem pelo casamento. Aconselho a leitura do meu artigo “Maria, mãe de Jesus”, onde este assunto é tratado com maior desenvolvimento.
Parece um tanto estranha a interpretação de Mateus, que classifica José como “justo” devido à sua atitude. Nesse contexto cultural veterotestamentário, justo era o que praticava a justiça de acordo com a Velha Lei. Se José apelasse para a justiça segundo a Lei de Moisés, Maria seria condenada à morte por lapidação se não houvesse alguma intervenção das autoridades romanas para impedir tal execução, pois viviam numa época em que a aplicação da velha Lei tinha algumas limitações impostas por Roma.
Penso que, mais importante do que a classificação de Mateus, é examinarmos a atitude de José, antes da intervenção do anjo que lhe falou.
José não quis acusar Maria de infidelidade e resolveu deixá-la em segredo. Nem sabemos se terá exigido do pai de Maria a devolução do que lhe teria pago, como era tradição entre os judeus. Penso que esta atitude não nos mostra um homem justo, muito menos se pensarmos no que era o homem justo nessa cultura. Eu preferia chamar-lhe de homem pacífico, conciliador, um homem bom, que preferiu ficar prejudicado a apelar para a justiça a que tinha direito.
Em Mateus 1:20/25 temos a descrição do anjo que em sonhos apareceu a José.
Muito se tem dito de Maria como a mulher escolhida por Deus para a concretização dos Seus planos, mas penso que o mesmo podemos dizer de José, que também foi o homem escolhido por Deus.
Apesar de todas as compreensíveis dificuldades, José aceitou prontamente as instruções do Anjo que lhe apareceu. Atendendo à profissão de José, homem realista, habituado a raciocinar, penso que não haja aqui qualquer ingenuidade ou fanatismo religioso. Isto mostra que José era homem de fé, uma fé consciente dum verdadeiro escolhido do Senhor.
Em Mateus 2:13/14  e Mateus 2:19/21 temos novas aparições do anjo a que José prontamente obedece.
Nenhum dos evangelistas assistiu pessoalmente a estes acontecimentos e só Mateus registou esta fuga para o Egipto e o massacre das crianças. Lucas que foi tão meticuloso ao escrever o seu evangelho, como ele próprio afirma logo no início, parece ter rejeitado estas informações, assim como muitas outras dos antigos textos que ficaram conhecidos como os apócrifos do Novo Testamento que tentam colmatar o silêncio do que terá acontecido antes de Jesus iniciar a sua pregação.
Em Lucas 2:41/50 temos uma referência a José, embora o seu nome não apareça. Neste acontecimento, tanto José como Maria, têm o comportamento de qualquer casal que procura o seu filhinho Jesus, nessa altura já um jovenzinho de 12 anos.
Quando encontraram a Jesus, foi Maria que perguntou: Filho, por que nos fizeste isso? Trata-se duma pergunta que tem um certo tom de repreensão. A atitude de José e a precipitação de Maria, numa altura em que tal era bem compreensível devido à sua preocupação, mostram um homem pacífico que não intervinha sem necessidade, pois se houvesse alguma repreensão a fazer a Jesus, era a ele, como chefe de família que competia tomar a iniciativa. Mas afinal, nem José nem Maria compreenderam a resposta de Jesus.

7. Conclusão
Não há mais referências a José em toda a Bíblia. A informação que temos é pouca, mas já nos basta para “vermos” um homem fisicamente grande e forte, com qualidades de chefia que se impõe não pelo seu autoritarismo mas pela sua competência e espírito pacífico e tolerante, além de ser um verdadeiro crente, que cumpriu a função para que o Senhor o chamou, pois quando Deus o escolheu, bem sabia quem era José, o escolhido do Senhor.

Camilo – Marinha Grande, Portugal
Setembro de 2005.
Fonte: www.estudos-biblicos.net

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REBECA, UMA MULHER PIEDOSA E DETERMINADA

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Antes de o servo terminar de orar, surgiu uma moça muito atraente com seu cântaro sobre o ombro. Sem que ele o soubesse, ela era Rebeca, sobrinha-neta de Abraão. O servo dirigiu-lhe seu pedido: “Por favor, dá-me um gole de água do teu cântaro.” Seria esta jovem a escolha de Deus? Graciosamente, Rebeca respondeu: “Bebe, meu senhor.” Abaixou depressa o seu cântaro e deu-lhe de beber. “Tirarei também água para os teus camelos até que acabem de beber”, disse ela. De modo que Rebeca esvaziou depressa o seu cântaro no bebedouro e correu ainda várias vezes ao poço para tirar água para os 10 camelos. Que trabalho! Um camelo pode beber mais de 20 litros por dia. — Gên. 24:15-20.

O servo compreendeu que, até então, sua oração pedindo orientação fora respondida. Sua atenção fora dirigida a uma jovem virgem com as qualidades desejáveis da bondade, prontidão e diligência. Após dar-lhe uma argola de ouro para as narinas e duas belas e valiosas pulseiras de ouro, interrogou-a sobre a sua família e sobre a possibilidade de pernoitar na casa do seu pai. Ela se identificou prontamente e disse: “Temos tanto palha como muita forragem, também um lugar para se pernoitar.” Induzido pela gratidão a Deus, o servo se inclinou e bendisse o Altíssimo. — Gên. 24:21-27.

Não houve a menor hesitação no coração de Rebeca quanto a mostrar hospitalidade a este homem. Correu para casa, a fim de fazer preparativos para o hóspede inesperado, e contou à família o que ocorrera. Ao ouvir isso, seu irmão Labão correu até o poço para acolher o estranho. Preparou-se um banquete na casa. Nenhum membro da família de Rebeca perguntou sobre a identidade e o propósito do estranho. Haviam-se concentrado em mostrar hospitalidade a ele e a seus assistentes, e em alimentar seus camelos. — Gên. 24:28-32.

No entanto, o servo de Abraão só pensava numa coisa — cumprir fielmente sua comissão, em harmonia com a orientação do anjo de Deus. Antes de concordar em participar da refeição, o servo identificou-se e explicou seu propósito. Contou-lhes sobre o pedido de um sinal que fizera a Deus, e sobre como Rebeca se comportara em conformidade com o sinal. — Gên. 24:33-49.

II. DEUS DIRIGE OS ASSUNTOS
Qual seria a reação da família de Rebeca? Que momento de suspense para o servo! Cheios de admiração e respeito, Labão e Betuel, o pai, compreenderam que tudo isso devia proceder de Deus. Eles responderam: “Eis que Rebeca está diante de ti. Toma-a e vai-te, e torne-se ela esposa do filho do teu amo, assim como Deus falou.” — Gên. 24:50, 51.

Houve grande excitação na casa. O servo apresentou presentes valiosos para Rebeca, sua mãe e seu irmão. Depois, todos tomaram a refeição preparada. Segundo o costume daquele tempo, esses procedimentos na casa de Rebeca constituíam a preparação dum contrato de casamento. — Gên. 24:52-54a.

Mas, então, a mãe e o irmão de Rebeca suplicaram uma demora de pelo menos 10 dias antes de a deixarem ir. O servo insistiu em partir logo. Por fim, deixaram Rebeca decidir. Chamaram-na e perguntaram: “Irás com este homem?” Neste momento o servo deve ter prendido a respiração. Partiria ela logo de casa com destino a um marido que nunca vira? Qual seria a resposta de Rebeca? Estava disposta, e se sujeitaria assim, prontamente, à escolha de Deus? “Estou disposta a ir”, foi a resposta de Rebeca. Sem demora, hesitação, dúvida ou condições! Que moça notável! (Gên. 24:8, 54b-58) Ela não só era atraente, bondosa, disposta, diligente e hospitaleira; Rebeca era também decidida, perspicaz e cheia de fé implícita. Percebia a mão de Deus neste assunto, e não hesitou em agir em harmonia com a vontade Dele. Cônscia de que seu tio-avô Abraão instruíra Isaque no temor do Todo-poderoso, Rebeca não tinha motivos de se preocupar quanto a como seria tratada como esposa.

Esta jovem partiu com as bênçãos da família: “Que tu, nossa irmã, te tornes milhares de vezes dez mil, e que teu descendente tome posse do portão dos que o odeiam.” A ama e as criadas de companhia seguiram-na nos camelos. — Gên. 24:59-61.

Dias depois, numa tardinha fresca, Isaque notou a aproximação duma caravana de camelos. Ao mesmo tempo, Rebeca avistou-o. Desceu do camelo graciosa e prontamente. Quando se lhe disse quem era o homem, cobriu-se com um véu, demonstrando assim sujeição e respeito pelo noivo. Realmente, a moça que desejara seguir a orientação de Deus, de partir com um servo para um país desconhecido para encontrar-se com um noivo desconhecido, sem duvidar ou questionar, era mulher que merecia afeto. O relato bíblico diz: “Ele se enamorou dela, e Isaque encontrou consolo depois da perda de sua mãe.” — Gên 24:62-67.

Rebeca mostrou ser justamente a esposa que Isaque necessitava. O espírito animado, ardente, ativo e audaz dela tornou-o feliz novamente, à medida que ela preenchia apropriadamente o vazio que a morte da mãe deixara em sua vida. Muitos anos após o casamento, Isaque continuava a achar deleite em sua amada Rebeca. Teve medo de perdê-la. Quando a fome forçou-o a fixar residência entre os filisteus, refletiu na beleza de Rebeca. Isaque temia por sua vida, raciocinando que algum homem talvez quisesse matá-lo para obtê-la como esposa. Assim, num esforço de evitar isso, Isaque a fez passar por sua irmã. — Gên. 26:1-11.

III. REBECA COMO MÃE
Como Sara, Rebeca permaneceu estéril durante longo tempo. Isaque persistia em suplicar a Deus por ela. Por fim, 20 anos após o casamento, ela lhe deu à luz os gêmeos Esaú e Jacó. Antes de dar à luz, Rebeca sabia que teria gêmeos. Sua gravidez foi extremamente dolorosa. “Se é assim, por que é que estou viva?”, exclamou ela ao sentir os bebês lutarem dentro dela. Rebeca recebeu a promessa de Deus, de que dois grupos nacionais seriam separados das suas entranhas, de que um seria mais forte do que o outro e de que o mais velho serviria ao mais jovem. Ela não perdeu de vista esta promessa. — Gên. 25:21-23.

Depois que os dois meninos nasceram, Rebeca concentrou suas esperanças e seu afeto em Jacó, e, com o tempo, Esaú desprezou até mesmo seu direito de primogenitura. (Gên. 25:28-34) Passados alguns anos, chegou o dia em que Rebeca tomou medidas pessoais para agir em harmonia com a promessa profética de Deus. Ouvira seu idoso e cego marido, Isaque, chamar seu filho primogênito, Esaú. Isaque tinha a intenção de escolher e abençoar seu herdeiro antes de morrer. Antes de conceder a bênção, porém, Isaque mandou Esaú ir matar alguma caça e preparar-lhe um prato gostoso. — Gên. 27:1-4.

Sabendo que Esaú não era a escolha de Deus, Rebeca procurou garantir a desejada bênção a Jacó. Enquanto Esaú caçava, Rebeca deu instruções a Jacó quanto a como deveria agir para obter a bênção que de direito era sua. Jacó objetou, temendo que seu pai cego o identificaria por apalpar-lhe, e, então, pronunciaria uma maldição. Mas, Rebeca estava mais determinada do que nunca. “Venha sobre mim a invocação do mal dirigida contra ti, meu filho”, disse ela com segurança. “Apenas escuta a minha voz.” E Jacó ouviu. — Gên. 27:5-14.

Depois disso, Rebeca fez Jacó vestir roupas de Esaú, que cheiravam a floresta, a campos e a terra. Também, tirou a pele macia e sedosa de cabritinhos e colocou pedaços dela sobre as mãos e o pescoço lisos de Jacó, de modo que, às mãos de Isaque, pareceria como Esaú. Jacó, com o prato gostoso preparado por sua mãe, apresentou-se perante Isaque. O plano de Rebeca teve êxito. Jacó recebeu a bênção do seu pai, sendo nomeado herdeiro legítimo de Isaque e Abraão. — Gên. 27:15-29.

Mais tarde, quando Rebeca descobriu que Esaú planejava matar Jacó, adotou novamente uma atitude firme a favor de Jacó. Em resultado do incentivo dela, Isaque mandou Jacó à terra natal dela em busca duma esposa. Rebeca reconhecia a importância duma boa esposa para Jacó. O fato de Esaú ter tomado duas esposas dentre os detestáveis cananeus entristecera muito tanto a Isaque como a ela. — Gên. 26:34, 35; 27:41-46; 28:1-5.

Rebeca deve ter sentido muito a falta de Jacó após a sua partida. Talvez esperasse que ele pudesse voltar em breve. Mas, Jacó ficou fora durante 20 anos. Não há nenhum registro na Bíblia no que se refere a Rebeca rever seu filho amado. Caso não o tenha visto, imagine a alegria que Rebeca e Jacó sentirão ao se encontrarem novamente, quando forem levantados dentre os mortos. Quão emocionante será para Rebeca, quando souber do grande privilégio que teve, de ser um elo que conduziu ao prometido Messias, ou Cristo!

Realmente, a bela, atenta e decidida Rebeca, que obteve a atenção favorável de Deus, constitui bom exemplo para as moças solteiras, as esposas e as mães hodiernas. Sua fé foi deveras elogiável. 
Fonte: http://bibliotecabiblica.blogspot.com.br
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